Valdemar Costa Neto confirmou suporte ao senador após reunião nesta quarta-feira, mas condicionou adesão à resolução da situação partidária de Moro no União Brasil
O Partido Liberal (PL) confirmou nesta quarta-feira (18) que apoiará a pré-candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) ao governo do Estado do Paraná nas eleições de 2026. O anúncio foi feito pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, ao fim de uma reunião com o próprio Moro na sede da legenda.
Valdemar apoia Moro, mas cobra definição partidária
Segundo Costa Neto, o apoio do PL à candidatura de Moro é um ponto pacificado, mas o senador precisa antes resolver sua situação dentro do União Brasil — partido pelo qual atualmente ocupa uma cadeira no Senado. Pela noite desta quarta, Moro teria um encontro com dirigentes da União Progressista, federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), para discutir exatamente essa questão.
Caso não consiga o respaldo da própria legenda para disputar o Palácio Iguaçu, a alternativa mapeada seria a filiação direta ao PL. Costa Neto não descartou esse caminho e chegou a sugerir que o senador teria chances concretas de vencer o pleito já no primeiro turno com a sigla do número 22. A filiação, porém, ficou sem desfecho definido na reunião desta manhã, a pedido do próprio Moro, que sinalizou querer avaliar as opções com calma.
PP do Paraná vetou Moro em dezembro; impasse persiste
A movimentação do PL acontece num contexto de resistência interna clara contra Moro dentro da federação que ele integra. Em dezembro do ano passado, o diretório estadual do Progressistas no Paraná deliberou por unanimidade contra a homologação do nome do ex-juiz da Lava Jato para a disputa ao governo estadual. O presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), esteve presente na reunião em Curitiba e endossou o veto, argumentando que apenas o diretório paranaense ainda mantinha essa resistência entre os 27 estados da federação.
À época, Moro classificou a decisão como uma imposição arbitrária e seguiu na corrida, liderando as pesquisas de intenção de voto para o governo paranaense.
Bastidores: Ratinho no centro do tabuleiro político
O movimento do PL em direção a Moro ocorre uma semana após o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, ter se reunido com o governador Ratinho Jr. (PSD-PR) para tentar atrair seu apoio à candidatura do PL à Presidência da República em 2026.
O aceite, contudo, implicaria Ratinho abrir mão de uma candidatura presidencial própria pelo PSD — disputa que envolve também os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Ratinho sinalizou que o partido ainda não tomou essa decisão e que não poderia responder pela legenda. Os dois combinaram de retomar a conversa até o fim de março.
Costa Neto fez questão de negar que o apoio a Moro representaria um rompimento com o campo de Ratinho no Paraná. Para justificar o movimento, o dirigente do PL lembrou que o governador pretende disputar a Presidência e questionou, retoricamente, o custo político de não ter um candidato competitivo ao governo paranaense. As rusgas entre PL e PSD no estado remontam às eleições municipais de 2024, quando Bolsonaro migrou seu apoio para Cristina Graeml em detrimento da chapa do candidato apadrinhado por Ratinho, Eduardo Pimentel, quebrando um acordo anterior entre os partidos.








