sáb, 24 out

Projeto garante a professor da rede pública 4 horas por semana de planejamento em casa

PL 3225/2026 dá a professor de 40 horas pelo menos 4 horas semanais para planejar aulas e corrigir provas em casa; DF poderia ampliar.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Professora escreve em uma folha sobre a mesa de uma sala de aula, de perfil (foto ilustrativa de banco de imagens)
Foto: RDNE Stock project/Pexels
Neste texto3 tópicos
  1. Quantas horas cada jornada teria
  2. O que o professor poderia fazer em casa
  3. E o que muda para quem já tem regra própria

Professores da rede pública que cumprem 40 horas semanais teriam direito a pelo menos 4 horas por semana para planejar aulas e corrigir provas em casa, pelo Projeto de Lei 3225/2026, em análise na Câmara dos Deputados. A proposta, dos deputados Idilvan Alencar (PSB-CE) e Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP), vale para escolas de estados, municípios e do Distrito Federal, segundo a Agência Câmara.

O texto muda a Lei do Piso do Magistério (Lei 11.738/2008), que já limita a 2/3 da jornada o tempo de interação com os alunos. O terço restante é de atividades extraclasse. O projeto não aumenta esse terço: separa dentro dele um mínimo que o professor poderia cumprir fora da escola.

Quantas horas cada jornada teria

A conta abaixo é do SouBrasília, feita a partir do limite de 2/3 da lei atual e das 4 horas do projeto. Para jornadas menores, o texto manda aplicar a proporção.

Jornada semanalMáximo com alunos (2/3)Extraclasse (1/3)Mínimo em casa pelo projeto
40 horas26h4013h204 horas
20 horas13h206h402 horas (proporcional)

O que o professor poderia fazer em casa

O artigo 1º do projeto lista as tarefas que contam como planejamento domiciliar: planos de aula, sequências didáticas e materiais; produção, correção e registro de provas e atividades; estudo e pesquisa de conteúdo; lançamento de frequência, notas e relatórios nos diários eletrônicos; e o replanejamento a partir do resultado dos alunos.

Ficam de fora, e continuam presenciais, o planejamento coletivo, a formação continuada e o atendimento à comunidade escolar. O artigo 3º diz que a medida não reduz a jornada, não muda o salário e não altera a lotação do professor. O controle do que for feito em casa deve seguir "razoabilidade e simplicidade", sem exigência burocrática desproporcional.

E o que muda para quem já tem regra própria

O projeto fixa um piso nacional, não um teto. Estados, o Distrito Federal e os municípios podem dar mais horas em casa, inclusive todo o terço extraclasse. Quem já tem condição mais favorável em lei local, acordo ou plano de carreira a mantém, e o texto veda retrocesso. Cada rede teria 180 dias, depois da publicação, para regulamentar.

No DF, o tema chega com a categoria mobilizada. O SouBrasília contou que os professores da rede pública convocaram paralisação e ato no Buriti para a quarta-feira, 21, segundo o Sinpro-DF. Outra proposta na Câmara, o PL 2722/2026, reserva um terço da jornada dos professores da CLT para planejamento.

O PL 3225/2026 foi apresentado em 18 de junho e tramita em caráter conclusivo: será analisado pelas comissões de Educação e de Constituição e Justiça e de Cidadania, sem passar pelo plenário, salvo recurso. Depois, precisa do aval do Senado para virar lei. O acompanhamento pode ser feito pelo número da proposição no site da Câmara dos Deputados.

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