PF indicia 15 no caso Master e BRB; prejuízo já apurado é de R$ 2,7 bilhões
Relatório de 700 páginas da PF indicia Vorcaro, o ex-presidente do BRB e mais 13. Perdas formalizadas somam R$ 2,7 bi; PF pede 60 dias a mais ao STF.

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A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira, 28, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no inquérito principal do caso Master. A PF calcula perdas já formalizadas de cerca de R$ 2,7 bilhões ao banco do Distrito Federal.
O relatório parcial, com mais de 700 páginas, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo a Agência Brasil e o g1. Os investigados respondem por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Indiciamento é a conclusão da polícia sobre autoria; a denúncia e o julgamento dependem do Ministério Público e da Justiça.
O que a PF aponta no relatório
Para a PF, Vorcaro e Paulo Henrique Costa formavam o "núcleo estratégico da organização criminosa" que tentou viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB entre 2024 e 2025. Sobre o banqueiro, o relatório diz que ele teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de crédito irregulares.
Sobre o prejuízo, a PF escreve: "Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual". Parte do valor vem de carteiras inexistentes em nome da Tirreno, empresa que a PF descreve como de fachada operada pelo Master.
O g1 informa que o BRB chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no Master, que a compra foi barrada pelo Banco Central e que o BRB descobriu depois que parte das carteiras adquiridas era fraudulenta e sem lastro. A coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, registra que, das carteiras transferidas entre julho de 2024 e outubro de 2025, ao menos R$ 12,2 bilhões correspondem a créditos cuja existência não foi devidamente comprovada.
Alerta interno em 2024 e os demais indiciados
Em reportagem separada, o g1 relata que a diretoria do BRB recebeu, em agosto de 2024, aviso de um gerente de que cerca de 90% da carteira recebida do Master tinha falhas ou não cumpria os critérios do banco. Segundo o relatório, a orientação seguinte não foi parar as compras, e sim exigir que o Master encontrasse novos créditos.
Além de Vorcaro e Paulo Henrique Costa, estão entre os indiciados o ex-sócio do Master Augusto Lima, cinco ex-diretores do BRB e dois sócios da Tirreno. Vorcaro está preso desde março na Papudinha, no DF. Paulo Henrique Costa e Augusto Lima também estão presos.
Defesa e próximos passos
A defesa de Paulo Henrique Costa disse ao g1 que "recebeu com surpresa o seu indiciamento" e sustenta que as mensagens anexadas ao inquérito mostram que ele não conhecia as fraudes nas carteiras. O g1 e a TV Globo tentaram contato com as defesas dos demais citados. O governo do DF é o acionista majoritário do BRB; o SouBrasília não localizou, até a publicação, nota do GDF ou do banco sobre o relatório.
A PF também pediu ao STF mais 60 dias para concluir perícias pendentes e entregar um relatório complementar. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso. A destinação dos bens apreendidos será examinada no relatório final.
Para o histórico da crise no banco, veja a cobertura do SouBrasília sobre o afastamento de cinco funcionários do BRB e a assembleia de acionistas sobre ações contra ex-gestores.






