Rafael Prudente (MDB) e Júlio César Ribeiro (Republicanos) aparecem à frente na disputa por uma das oito vagas do Distrito Federal na Câmara dos Deputados, segundo a segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião divulgada nesta quarta-feira (5). O primeiro colocado tem 1,8% das intenções de voto, o que mostra o tamanho da pulverização em uma eleição proporcional com dezenas de nomes na disputa.
O levantamento ouviu 1.109 eleitores entre 30 de julho e 1º de agosto, nas 31 regiões administrativas do DF, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto responsável é o Opinião Inteligência Política.
Como ficou o ranking
A ordem dos nomes citados espontaneamente ficou assim:
- Rafael Prudente (MDB): 1,8%
- Júlio César Ribeiro (Republicanos): 1,6%
- Chico Vigilante (PT): 1,4%
- Fred Linhares (Republicanos): 1,3%
- Fábio Félix (PSol): 1,2%
- Rodrigo Rollemberg (PSB): 0,6%
- Ricardo Vale (PT): 0,4%
- José Antonio Reguffe (Solidariedade): 0,4%
- Reginaldo Veras (PV): 0,4%
A distância entre o primeiro e o nono colocado é de 1,4 ponto percentual, muito abaixo da margem de erro. Na prática, o levantamento não separa os candidatos em faixas distintas: mostra um bloco em que todos disputam o mesmo espaço e no qual nenhum nome consolidou vantagem até aqui.
Por que os percentuais são baixos
Eleição para a Câmara dos Deputados não funciona como a majoritária. O eleitor do DF escolhe um nome entre centenas de candidatos, e a maior parte do eleitorado só define o voto para deputado nas últimas semanas de campanha, depois que a propaganda eleitoral gratuita começa. Em rodadas de agosto, o percentual de indecisos e de eleitores que não citam nenhum nome costuma superar o de todos os candidatos somados.
Há um segundo efeito. Quem já ocupa mandato ou tem passagem por cargo eletivo aparece melhor nesta fase, porque o levantamento mede reconhecimento de nome tanto quanto preferência. Prudente presidiu a Câmara Legislativa e Chico Vigilante e Fábio Félix têm mandatos distritais com base construída em regiões específicas, o que se traduz em lembrança espontânea.
As oito vagas e a conta partidária
O DF elege oito deputados federais. Como a eleição é proporcional, a vaga não vai automaticamente para os oito mais votados: o cálculo passa pelo quociente eleitoral, que distribui as cadeiras entre partidos e federações conforme a votação total de cada legenda, e só depois define quais nomes de cada lista entram.
Isso muda a leitura da pesquisa. Um candidato com 1,8% em uma legenda que soma pouco voto pode ficar de fora, enquanto outro com percentual menor numa federação forte se elege pela votação do conjunto. Por isso as convenções partidárias e a composição das chapas pesam tanto quanto o desempenho individual nesta fase.
O calendário que vem pela frente
O prazo das convenções partidárias para escolha das candidaturas terminou nesta quarta-feira (5), e o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto. Só depois desse prazo o quadro fica fechado, com a lista definitiva de quem disputa cada uma das oito vagas e sob qual legenda.
A mesma rodada da pesquisa mediu a disputa pelo Senado, na qual Leila do Vôlei aparece com 46,9% e Michelle Bolsonaro com 42%, e apontou 51,9% de aprovação à gestão de Celina Leão no governo do DF.
Rodadas seguintes tendem a mostrar movimento maior a partir de setembro, quando a propaganda de rádio e televisão entra no ar e nomes com menos exposição prévia ganham espaço. Até lá, o levantamento serve mais para medir quem parte com reconhecimento consolidado do que para projetar quem ocupará as cadeiras.
O que a pesquisa mede e o que ela não mede
Um ponto costuma gerar confusão na leitura de números de eleição proporcional: a pergunta espontânea, em que o entrevistado cita um nome sem lista à frente, sempre produz percentuais baixos e um volume alto de respostas em branco. Ela mede lembrança, não decisão. Um candidato que não aparece na rodada de agosto pode terminar eleito com votação concentrada em duas ou três regiões administrativas, padrão comum no DF.
A geografia do voto pesa nessa conta. Candidatos com base em regiões populosas como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Planaltina conseguem votação suficiente para uma cadeira sem jamais liderar levantamento distrital, porque o voto está concentrado onde a pesquisa distribui apenas parte da amostra. É por isso que o desempenho por região administrativa costuma dizer mais sobre a eleição de deputado do que o percentual geral.
Vale ainda observar a diferença entre a disputa proporcional e a majoritária desta eleição. Enquanto o eleitor do DF escolhe dois senadores em uma corrida com poucos nomes e alta exposição, a disputa pela Câmara concentra centenas de candidaturas e se define nas semanas finais, quando a máquina partidária, o tempo de televisão e o alinhamento com as chapas majoritárias entram no cálculo.
Perguntas frequentes
Quantos deputados federais o Distrito Federal elege?
Oito. A distribuição das cadeiras é proporcional e passa pelo quociente eleitoral, que considera a votação total de cada partido ou federação antes de definir quais candidatos entram.
Qual a metodologia da pesquisa Correio/Opinião de agosto?
Foram 1.109 eleitores ouvidos entre 30 de julho e 1º de agosto de 2026, nas 31 regiões administrativas do DF, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto é o Opinião Inteligência Política.
Até quando as candidaturas podem ser registradas?
O registro na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto de 2026. As convenções partidárias para escolha dos candidatos terminaram em 5 de agosto.








