PCDF descarta feminicídio em morte de jovem baleada em Sobradinho II
PCDF passa a investigar como homicídio a morte da jovem de 18 anos em Sobradinho II; três adolescentes foram apreendidos e quatro armas vão a perícia.

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afastou a hipótese de feminicídio na morte de uma jovem de 18 anos baleada na cabeça em uma casa da AR 17, em Sobradinho II. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 2 de novembro, pelo Jornal de Brasília e por outros veículos. O caso, registrado de início como feminicídio, passou a ser investigado como homicídio, e a polícia ainda não sabe se o disparo foi acidental ou intencional.
A jovem morreu na madrugada de sábado, 31 de outubro, por volta das 2h. Três adolescentes, dois de 16 anos e um de 17, foram apreendidos e autuados por ato infracional análogo a homicídio. Por serem menores, eles não são identificados.
O que a PCDF apurou até agora
Segundo os depoimentos colhidos, a vítima estava na casa com duas amigas e com os três adolescentes, que haviam convidado as jovens para o imóvel. Um dos rapazes manuseava uma arma de fogo e chegou a apontá-la para as visitantes, em uma suposta brincadeira. Pouco depois, a jovem foi até um dos quartos pedir um isqueiro e foi atingida pelo tiro.
As duas amigas disseram à polícia que não viram discussão nem agressão antes do disparo e que não conseguiram identificar quem atirou, porque não enxergavam o interior do quarto. Foram esses relatos que levaram a PCDF a deixar de lado, por ora, a tese de crime motivado pela condição de mulher da vítima. A diferença pesa na pena: o feminicídio é um crime autônomo, com pena prevista de 20 a 40 anos de reclusão pela Lei 14.994/2024, como mostrou a condenação por feminicídio em São Sebastião. O homicídio comum tem enquadramento e pena diferentes.
As quatro armas do pai e a perícia
Os policiais apreenderam quatro armas de fogo que pertencem ao pai de um dos adolescentes. Ele tem registro de colecionador, atirador desportivo e caçador (CAC). Segundo o delegado Ricardo Viana, da 35ª Delegacia de Polícia, o adolescente tinha acesso ao cofre em que as armas eram guardadas.
As armas foram enviadas à perícia, que vai verificar se alguma delas foi usada na morte. Até agora não há confirmação pública de que uma das armas apreendidas tenha feito o disparo fatal. A investigação também pode apurar a responsabilidade do proprietário pelo acesso do jovem ao armamento. O SouBrasília explicou o que diz a lei sobre esse ponto em pai CAC pode responder se adolescente usa arma guardada em casa.
O que acontece com os adolescentes
Depois do tiro, os três deixaram a casa. Equipes da Polícia Militar e da 35ª DP os localizaram horas depois e os levaram à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Adolescentes não respondem a processo penal: respondem por ato infracional, e a Justiça da Infância e da Juventude decide a medida cabível. A polícia ainda precisa esclarecer quem atirou e qual foi o papel de cada um.
A jovem foi sepultada na tarde de domingo, 1º de novembro, no Cemitério Campo da Esperança, em Sobradinho.
O texto foi feito a partir do que o Jornal de Brasília, o Correio Braziliense e o Metrópoles publicaram sobre o caso. A PCDF segue com o inquérito, e o enquadramento pode mudar conforme a perícia e os depoimentos dos adolescentes.






