A recente transferência do campus da Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) do Lago Norte para um prédio alugado em Ceilândia tem gerado forte reação entre alunos e docentes, que apontam impactos na rotina acadêmica e temem aumento da evasão estudantil.
Motivos da insatisfação com a mudança de campus
A nova unidade da UnDF foi inaugurada no dia 16 de março de 2026 em um espaço do Centro Universitário Iesb em Ceilândia, uma medida que integra a estratégia de expansão do ensino superior público no Distrito Federal.
No entanto, estudantes afirmam que a transferência prejudica rotinas já estabelecidas, especialmente de quem depende de transporte público ou tem vínculos de trabalho próximos ao campus anterior no Lago Norte. O aumento no tempo de deslocamento é citado pelos alunos como um dos principais fatores que podem levar à desistência dos cursos.
Bárbara Oliveira, representante do Diretório Central Acadêmico (DCA) da UnDF, comentou que a mudança não é rejeitada em si, mas é questionada pela falta de diálogo e planejamento: “Alterações sem planejamento e sem consulta à comunidade podem comprometer a formação acadêmica e o futuro dos estudantes”.
Alunos aprovam greve e organizam protestos
Em resposta à decisão, os estudantes realizaram assembleias e aprovaram a deflagração de uma greve estudantil, além de planejar o ato denominado “OcupaUnDF” em protesto contra a mudança.
Alunos e professores também criticam a falta de participação da comunidade acadêmica na tomada de decisões, assim como a urgência com que informações sobre a transferência foram comunicadas — inclusive, por e-mail, já no meio do semestre.
Contrato de aluguel e recursos públicos sob questionamento
Outro ponto de contestação é o contrato de aluguel do novo campus em Ceilândia, estimado em mais de R$ 110 milhões por cinco anos. Estudantes afirmam que não houve transparência sobre a destinação desses recursos e apontam preocupações sobre a utilização de verba pública em contratos sem licitação.
Professores também se unem à mobilização
A mobilização não se limita aos estudantes. Representantes do sindicato dos professores da UnDF aprovaram uma paralisação dos docentes por tempo indeterminado, reclamando da falta de diálogo com o Governo do Distrito Federal e a administração da universidade — especialmente no que diz respeito à reestruturação salarial e às condições de trabalho.








