O vigilante Rodrigo Resende do Prado, de 48 anos, morreu na tarde de domingo (12) enquanto aguardava atendimento no Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF), na Asa Sul. Ele deu entrada com fortes dores no peito por volta das 13h e foi encontrado inconsciente cerca de três horas depois, antes de passar por avaliação médica.
A morte provocou reação imediata do GDF. A governadora Celina Leão determinou apuração rígida do caso nesta segunda-feira (13), e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), responsável pela unidade, instaurou investigação interna para analisar todas as circunstâncias do atendimento.
Rodrigo foi levado ao Base pela irmã e pelo cunhado. Segundo o relato da família ao Correio Braziliense, ele fez o cadastro na unidade e esperava a classificação de risco quando o quadro piorou, com falta de ar e perda de consciência.
“Passou uma hora, ele não tinha sido atendido e relatava aumento da dor. Disse que não estava conseguindo respirar”, contou o cunhado, Leonardo Ribeiro, ao Correio Braziliense.
O vigilante já havia procurado o mesmo hospital na sexta-feira (10), também com dor no peito. Na ocasião, foi avaliado e liberado em cerca de meia hora, ainda de acordo com o cunhado. No domingo, voltou à unidade depois que as dores reapareceram com mais intensidade.
Rodrigo era viúvo e deixa um filho de 6 anos. Ele estava desempregado havia cerca de um ano por causa de um problema renal, segundo a família.
O Hospital de Base é a principal porta de entrada da alta complexidade na rede pública do DF e concentra os casos mais graves de urgência e emergência da capital.
O que diz o IgesDF
O instituto afirma que o paciente sofreu um mal súbito na área externa da unidade e que as equipes iniciaram a reanimação cardiopulmonar de imediato, com encaminhamento à Sala Vermelha, destinada aos casos graves.
“Toda a assistência prestada seguiu os protocolos técnicos estabelecidos para situações de emergência”, diz o IgesDF, em nota.
Mesmo assim, o instituto abriu apuração interna. A análise vai cruzar registros de entrada, horários, deslocamentos do paciente dentro da unidade e imagens das câmeras de monitoramento.
Celina Leão promete rigor na apuração
A governadora tratou o caso como prioridade e cobrou resposta das equipes de saúde já no primeiro dia útil após a morte.
“Vamos investigar. A determinação é de uma apuração rígida de qualquer tipo de falta de atendimento à população”, afirmou Celina Leão.
O que será apurado
- Horário exato do cadastro e da classificação de risco no domingo (12);
- Tempo de espera entre a chegada, por volta das 13h, e o momento em que Rodrigo foi encontrado inconsciente, perto das 16h;
- Imagens das câmeras de monitoramento da unidade;
- O atendimento de sexta-feira (10), quando o vigilante foi avaliado e liberado.
Próximos passos
A apuração interna do IgesDF não tem prazo de conclusão divulgado. O resultado deve indicar se os protocolos de acolhimento e classificação de risco foram cumpridos no caso da dor torácica, queixa tratada como prioridade nos prontos-socorros.
Quem precisar da rede pública pode conferir quando procurar hospital, UPA ou UBS no DF e conhecer o estatuto que garante os direitos do paciente na saúde pública e privada.








