Metroviários do DF decidem nesta quinta (6) se deflagram greve no metrô

agosto 6, 2026
Trem do Metrô do Distrito Federal em trecho de superfície da linha, em Águas Claras, com prédios residenciais ao fundo

Os metroviários do Distrito Federal se reúnem em assembleia geral extraordinária às 20h desta quinta-feira (6), na sede do SindMetrô-DF, em Águas Claras, quando podem deliberar pela deflagração de greve no Metrô-DF. A reunião também será realizada por videoconferência.

A convocação partiu do sindicato depois que a categoria protocolou, na segunda-feira (3), ofício endereçado à governadora Celina Leão cobrando resposta a reivindicações apresentadas ao governo distrital em novembro de 2025.

O que a categoria reivindica

  • Realização de concurso público para recompor o quadro de funcionários da companhia.
  • Cumprimento de ação civil pública que determina a contratação de agentes de segurança.
  • Pagamento em pecúnia das horas extras acumuladas.

O sindicato afirma que a recomposição do quadro é urgente porque o déficit de pessoal compromete as condições de trabalho e afeta a segurança da operação.

“O governo e o metrô estão em total descaso com a população e os empregados, não negociam, não atendem nossas demandas”, afirmou Carlos Cassiano, diretor do SindMetrô-DF.

Metrô-DF e GDF não responderam

Procurados, o Metrô-DF e o Governo do Distrito Federal não haviam se manifestado sobre a convocação da assembleia e sobre o ofício da categoria até a publicação desta reportagem.

A decisão sobre a paralisação depende do que for aprovado na assembleia. Caso a greve seja deflagrada, a categoria precisa definir também a operação de emergência, com percentual mínimo de circulação, conforme prevê a legislação para serviços essenciais.

O precedente de março

Não é a primeira mobilização do ano. Em março, os metroviários já haviam aprovado greve com as mesmas bandeiras, concurso público e investimento na manutenção do sistema, em movimento que chegou a ser anunciado para uma segunda-feira e mobilizou a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal.

O intervalo entre as duas mobilizações é o argumento central do sindicato nesta rodada. A entidade sustenta que as reivindicações apresentadas em novembro de 2025 continuam sem resposta formal do governo distrital, o que levou o ofício a ser endereçado diretamente à governadora.

O que muda para quem usa o metrô

O Metrô-DF opera duas linhas, laranja e verde, que ligam Ceilândia e Samambaia à Asa Sul, com tronco comum entre a Estação Central e Águas Claras. É o principal modal de ligação entre as cidades do sudoeste do DF e o Plano Piloto nos horários de pico.

Em caso de paralisação, o percentual mínimo de operação e os horários afetados só são definidos depois da deliberação da assembleia. Até lá, a recomendação é acompanhar os canais oficiais da companhia antes de sair de casa e considerar alternativas de deslocamento nos horários de maior movimento.

Quem depende do sistema para chegar ao trabalho deve verificar também a operação das linhas de ônibus que atendem os mesmos eixos, já que a demanda migra para o modal rodoviário sempre que há redução na circulação dos trens.

O que diz a lei sobre greve em serviço essencial

Transporte coletivo é classificado como serviço essencial pela Lei 7.783/1989, a Lei de Greve. A norma exige que sindicato e empregador garantam durante a paralisação a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades da população.

Na prática, isso se traduz em percentual mínimo de trens circulando, normalmente maior nos horários de pico. O descumprimento pode levar o caso à Justiça do Trabalho, que fixa o percentual e pode aplicar multa diária à parte que descumprir a decisão.

A lei também determina aviso prévio de 72 horas à população e ao empregador no caso de atividade essencial. É por esse motivo que a deliberação da assembleia costuma vir acompanhada de uma data futura para o início efetivo da paralisação.

Concurso é a bandeira central

O pedido de concurso público aparece nas duas mobilizações do ano e é o ponto que o sindicato apresenta como estrutural. A entidade sustenta que a companhia opera com quadro reduzido e que a reposição por aposentadoria e desligamento não acompanha a saída de pessoal.

A contratação de agentes de segurança tem status diferente das demais reivindicações, porque decorre de ação civil pública já em curso. Nesse caso, o sindicato cobra o cumprimento de decisão judicial, e não a abertura de negociação.

Próximos passos

A assembleia começa às 20h desta quinta-feira. O resultado define se haverá greve, a partir de quando e com qual percentual de operação. Sem acordo, a tendência é que o caso siga para negociação mediada, caminho adotado em mobilizações anteriores da categoria.

Leia também: horários, linhas e tarifa do Metrô-DF.

Perguntas frequentes

Quando é a assembleia dos metroviários do DF?

Nesta quinta-feira (6), às 20h, na sede do SindMetrô-DF, em Águas Claras, e também por videoconferência.

O metrô vai parar?

A paralisação depende da deliberação da assembleia. Até a publicação desta reportagem, não havia greve deflagrada nem data definida.

O que a categoria reivindica?

Concurso público para recompor o quadro, cumprimento de ação civil pública sobre a contratação de agentes de segurança e pagamento em pecúnia de horas extras.

O Metrô-DF pode parar totalmente em caso de greve?

Não. Por se tratar de serviço essencial, a legislação exige a manutenção de uma operação de emergência, cujo percentual é definido pela categoria na assembleia.

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