Os metroviários do Distrito Federal se reúnem em assembleia geral extraordinária às 20h desta quinta-feira (6), na sede do SindMetrô-DF, em Águas Claras, quando podem deliberar pela deflagração de greve no Metrô-DF. A reunião também será realizada por videoconferência.
A convocação partiu do sindicato depois que a categoria protocolou, na segunda-feira (3), ofício endereçado à governadora Celina Leão cobrando resposta a reivindicações apresentadas ao governo distrital em novembro de 2025.
O que a categoria reivindica
- Realização de concurso público para recompor o quadro de funcionários da companhia.
- Cumprimento de ação civil pública que determina a contratação de agentes de segurança.
- Pagamento em pecúnia das horas extras acumuladas.
O sindicato afirma que a recomposição do quadro é urgente porque o déficit de pessoal compromete as condições de trabalho e afeta a segurança da operação.
“O governo e o metrô estão em total descaso com a população e os empregados, não negociam, não atendem nossas demandas”, afirmou Carlos Cassiano, diretor do SindMetrô-DF.
Metrô-DF e GDF não responderam
Procurados, o Metrô-DF e o Governo do Distrito Federal não haviam se manifestado sobre a convocação da assembleia e sobre o ofício da categoria até a publicação desta reportagem.
A decisão sobre a paralisação depende do que for aprovado na assembleia. Caso a greve seja deflagrada, a categoria precisa definir também a operação de emergência, com percentual mínimo de circulação, conforme prevê a legislação para serviços essenciais.
O precedente de março
Não é a primeira mobilização do ano. Em março, os metroviários já haviam aprovado greve com as mesmas bandeiras, concurso público e investimento na manutenção do sistema, em movimento que chegou a ser anunciado para uma segunda-feira e mobilizou a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal.
O intervalo entre as duas mobilizações é o argumento central do sindicato nesta rodada. A entidade sustenta que as reivindicações apresentadas em novembro de 2025 continuam sem resposta formal do governo distrital, o que levou o ofício a ser endereçado diretamente à governadora.
O que muda para quem usa o metrô
O Metrô-DF opera duas linhas, laranja e verde, que ligam Ceilândia e Samambaia à Asa Sul, com tronco comum entre a Estação Central e Águas Claras. É o principal modal de ligação entre as cidades do sudoeste do DF e o Plano Piloto nos horários de pico.
Em caso de paralisação, o percentual mínimo de operação e os horários afetados só são definidos depois da deliberação da assembleia. Até lá, a recomendação é acompanhar os canais oficiais da companhia antes de sair de casa e considerar alternativas de deslocamento nos horários de maior movimento.
Quem depende do sistema para chegar ao trabalho deve verificar também a operação das linhas de ônibus que atendem os mesmos eixos, já que a demanda migra para o modal rodoviário sempre que há redução na circulação dos trens.
O que diz a lei sobre greve em serviço essencial
Transporte coletivo é classificado como serviço essencial pela Lei 7.783/1989, a Lei de Greve. A norma exige que sindicato e empregador garantam durante a paralisação a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades da população.
Na prática, isso se traduz em percentual mínimo de trens circulando, normalmente maior nos horários de pico. O descumprimento pode levar o caso à Justiça do Trabalho, que fixa o percentual e pode aplicar multa diária à parte que descumprir a decisão.
A lei também determina aviso prévio de 72 horas à população e ao empregador no caso de atividade essencial. É por esse motivo que a deliberação da assembleia costuma vir acompanhada de uma data futura para o início efetivo da paralisação.
Concurso é a bandeira central
O pedido de concurso público aparece nas duas mobilizações do ano e é o ponto que o sindicato apresenta como estrutural. A entidade sustenta que a companhia opera com quadro reduzido e que a reposição por aposentadoria e desligamento não acompanha a saída de pessoal.
A contratação de agentes de segurança tem status diferente das demais reivindicações, porque decorre de ação civil pública já em curso. Nesse caso, o sindicato cobra o cumprimento de decisão judicial, e não a abertura de negociação.
Próximos passos
A assembleia começa às 20h desta quinta-feira. O resultado define se haverá greve, a partir de quando e com qual percentual de operação. Sem acordo, a tendência é que o caso siga para negociação mediada, caminho adotado em mobilizações anteriores da categoria.
Leia também: horários, linhas e tarifa do Metrô-DF.
Perguntas frequentes
Quando é a assembleia dos metroviários do DF?
Nesta quinta-feira (6), às 20h, na sede do SindMetrô-DF, em Águas Claras, e também por videoconferência.
O metrô vai parar?
A paralisação depende da deliberação da assembleia. Até a publicação desta reportagem, não havia greve deflagrada nem data definida.
O que a categoria reivindica?
Concurso público para recompor o quadro, cumprimento de ação civil pública sobre a contratação de agentes de segurança e pagamento em pecúnia de horas extras.
O Metrô-DF pode parar totalmente em caso de greve?
Não. Por se tratar de serviço essencial, a legislação exige a manutenção de uma operação de emergência, cujo percentual é definido pela categoria na assembleia.








