A Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal registrou que o Metrô-DF opera com 13 das 32 composições fora de circulação, de acordo com o relatório de vistoria divulgado em 25 de junho. O documento voltou ao centro do debate nesta semana, depois que um novo descarrilamento interrompeu a operação na terça-feira (28) e provocou lotação nas estações.
A inspeção foi feita no pátio de manutenção de Águas Claras. Além dos 13 trens imobilizados, o relatório aponta que quatro deles são considerados praticamente irrecuperáveis, por inviabilidade técnica e econômica do reparo. O sistema foi projetado para circular com até 22 composições nos horários de pico.
O que a vistoria encontrou no pátio
O ponto mais sensível do documento trata da retirada de peças de trens parados para manter outros em funcionamento. A comissão verificou que seis das composições imobilizadas estavam nesse processo, descrito no relatório como canibalização. A prática mantém a operação de pé no curto prazo, mas reduz a chance de recolocar os trens parados nos trilhos.
O relatório também descreve um descarrilamento anterior, o do trem 19, causado pelo desprendimento de um reator. A recuperação da composição foi estimada em cerca de R$ 3,5 milhões, e a ocorrência exigiu a substituição de 300 peças na via.
- Frota total: 32 trens
- Fora de operação na vistoria: 13
- Considerados irrecuperáveis: 4
- Em processo de retirada de peças: 6
- Necessários no pico: 22
Peças, revisões e pessoal
Entre os gargalos listados estão a dificuldade de obter componentes, principalmente para os trens da Série 1000, e revisões complexas que podem deixar uma composição parada por até seis meses. A comissão registrou ainda déficit de servidores em áreas operacionais e perda de arrecadação de aproximadamente R$ 3 milhões associada a liberações manuais de catracas.
O relatório indica que, com recursos suficientes para manutenção e reposição, o Metrô-DF teria condições de chegar a 28 trens em operação.
Licitação de 15 novos trens
A companhia prepara licitação para a compra de 15 composições, ao custo estimado de R$ 48 milhões cada. Pelo cronograma apresentado, a entrega ocorre dois anos após a assinatura do contrato. É a principal aposta para recompor a frota e reduzir a dependência dos trens mais antigos.
Sobre o descarrilamento de terça-feira, o Metrô-DF informou que a circulação em todas as estações foi retomada pouco antes das 14h e que o trem danificado seguiu para avaliação das equipes de manutenção, com identificação posterior da causa.
“É um processo de sucateamento que não começou agora, mas vem se agravando ano após ano”, afirmou o deputado distrital Max Maciel (PSOL), presidente da CTMU.
O que muda para quem usa a linha
Com menos trens disponíveis, o intervalo entre composições aumenta nos horários de maior movimento, principalmente nos trechos que atendem Ceilândia, Samambaia, Taguatinga e Águas Claras. Passageiro que depende do metrô para chegar ao Plano Piloto sente o efeito na plataforma, com trens mais cheios e espera maior.
Quem usa o sistema pode acompanhar avisos de operação pelos canais oficiais do Metrô-DF e pelo aplicativo. Em caso de interrupção, a orientação da companhia é buscar as linhas de ônibus do Sistema de Transporte Público Coletivo que fazem o mesmo trajeto.
Os próximos passos passam pela resposta da companhia aos questionamentos da comissão e pelo andamento da licitação dos novos trens. Enquanto isso não avança, a manutenção da frota atual segue como o fator que define quantas composições saem do pátio a cada manhã.
Leia também: Licenciamento de veículos no DF 2026: prazos por final de placa.
Perguntas frequentes
Quantos trens o Metrô-DF tem parados?
O relatório da CTMU da Câmara Legislativa, divulgado em 25 de junho, aponta 13 composições fora de operação, de um total de 32. Quatro delas são consideradas praticamente irrecuperáveis.
O que causou o descarrilamento do trem 19?
Segundo o relatório, o desprendimento de um reator. A recuperação da composição foi estimada em cerca de R$ 3,5 milhões e exigiu a troca de 300 peças na via.
O Metrô-DF vai comprar trens novos?
A companhia prepara licitação para 15 novas composições, ao custo estimado de R$ 48 milhões cada, com entrega prevista para dois anos após a assinatura do contrato.








