O Hospital de Base, principal hospital terciário da rede pública do Distrito Federal, abriu nesta terça-feira (12) um curso de capacitação voltado à humanização do atendimento a pacientes. A formação reúne servidores das equipes assistenciais — médicos, enfermeiros, técnicos e profissionais de apoio — em torno de uma proposta simples na intenção e difícil na prática: enxergar a pessoa por trás do prontuário.
De acordo com a unidade, o curso propõe ferramentas para identificar sinais de sofrimento que não aparecem em exames laboratoriais ou de imagem. Trata-se de um esforço para reorganizar o cotidiano hospitalar a partir da escuta ativa, da empatia e do reconhecimento da dimensão emocional, social e psíquica da experiência de adoecer.
O que ensina o curso de humanização
A capacitação trabalha conteúdos teóricos e dinâmicas práticas. Entre os tópicos abordados estão técnicas de comunicação não violenta, manejo de pacientes em situação de fragilidade emocional, abordagem familiar em diagnósticos difíceis e protocolos de acolhimento para vítimas de violência. A formação também aborda a importância de respeitar particularidades culturais e religiosas.
- Comunicação efetiva entre equipe e paciente
- Manejo de emoções intensas em pronto-socorro
- Diagnóstico de sofrimento psíquico fora do consultório psiquiátrico
- Acolhimento de familiares em situações graves
- Cuidado integral em pacientes com doenças crônicas
A iniciativa segue diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde, criada em 2003 e atualizada periodicamente pelo Ministério da Saúde. A política preconiza que o cuidado não pode se restringir ao aspecto biomédico e deve considerar a integralidade da pessoa.
Por que humanizar atendimento importa
Estudos publicados em periódicos brasileiros e internacionais mostram que humanizar o atendimento reduz tempo de internação, melhora adesão a tratamentos e diminui ações judiciais contra serviços de saúde. Pacientes que se sentem acolhidos relatam maior satisfação e maior confiança na equipe, o que impacta resultados clínicos.
No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde tem investido em programas semelhantes em outras unidades da rede pública, como hospitais regionais, UPAs e centros de saúde. O foco em humanização é uma das diretrizes do Plano Diretor de Saúde 2024-2027, que prevê expansão de capacitações ao longo de toda a rede.
“Identificar sinais de sofrimento além do que aparece em exames é parte essencial do cuidado integral. O acolhimento começa no primeiro contato, antes mesmo de qualquer procedimento técnico”, aponta documento da iniciativa institucional do Hospital de Base.
Como o Hospital de Base atua no DF
O Hospital de Base é referência em alta complexidade na rede pública do DF, com unidades de oncologia, neurologia, cardiologia, cirurgia geral e transplantes. A unidade atende casos encaminhados de toda a rede regional e tem importância estratégica para o sistema. Em 2024, realizou mais de 600 mil atendimentos ambulatoriais e cerca de 30 mil internações.
A unidade é administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), entidade vinculada ao governo distrital. O modelo de gestão por OS (Organização Social) foi instituído em 2018 e tem como objetivo dar mais agilidade administrativa e flexibilidade orçamentária para o hospital, em comparação ao modelo direto.
Mudanças recentes no comando do Iges-DF — com a posse da enfermeira Eliane Souza Abreu, ex-Hospital Regional de Santa Maria, na semana passada — sinalizam continuidade da pauta de humanização. A nova presidente assumiu na semana passada substituindo Cleber Monteiro e vem reforçando a importância da formação contínua das equipes.
A capacitação inicial é voltada a servidores do Hospital de Base, mas o material pedagógico deve ser replicado em outras unidades da rede, especialmente naquelas com alta rotatividade de pacientes em situações críticas, como o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e o Hospital de Apoio. O cronograma de expansão será divulgado pelo Iges-DF nas próximas semanas.








