A governadora Celina Leão esteve nesta terça-feira (12) no Supremo Tribunal Federal (STF) para reunião com o ministro Cristiano Zanin. Segundo a agenda pública oficial, o encontro tratou da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7881, que questiona a flexibilização da Lei da Ficha Limpa aprovada recentemente pelo Congresso Nacional. O julgamento da ação está previsto para entre 22 e 29 de maio.
A ADI 7881 ganhou repercussão nacional por discutir prazos e critérios de inelegibilidade. A flexibilização aprovada pelo Congresso abre caminho para que condenados, hoje barrados pela legislação atual, possam voltar a disputar eleições. Entre os nomes citados como potenciais beneficiários estão o ex-governador do Rio Anthony Garotinho, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-governador do DF José Roberto Arruda.
O que está em jogo na ADI 7881
A Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010) é uma das mais importantes legislações eleitorais brasileiras. Ela impede candidaturas de pessoas com condenações em segunda instância por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa. A norma é considerada conquista institucional e foi sustentada em diversas decisões do STF e do TSE ao longo dos anos.
- Ação: ADI 7881
- Objeto: flexibilização da Lei da Ficha Limpa
- Aprovada pelo: Congresso Nacional
- Julgamento STF: 22 a 29 de maio de 2026
- Ministro relator: Cristiano Zanin (recebeu Celina nesta terça)
A norma aprovada pelo Congresso reduz o prazo de inelegibilidade e altera critérios para que ex-condenados possam disputar eleições. Críticos consideram retrocesso institucional e enfraquecimento dos mecanismos de combate à corrupção. Defensores argumentam que penas devem ter limite temporal e que a impunidade não pode ser confundida com vingança política perene.
Caso BRB também está no radar do STF
O encontro entre Celina e Zanin acontece em meio a outro processo de interesse direto do DF: o caso do Banco de Brasília (BRB). O julgamento do tema começou na sexta-feira (8), no plenário virtual, mas o ministro Flávio Dino pediu destaque — manobra processual que tira o caso do ambiente virtual e o leva ao plenário físico, com sustentação oral e julgamento mais aprofundado.
Ainda não há data definida para o julgamento físico do caso BRB. O processo tem implicações jurídicas e políticas. Celina Leão e o ex-governador Ibaneis Rocha foram citados em delação relacionada a operações do banco — ambos negam veementemente qualquer ilegalidade. A governadora tem afirmado publicamente aguardar a decisão “com muita tranquilidade”.
“O caso será julgado pelo STF e estou tranquila porque temos a convicção de que não cometemos qualquer ato que justifique a tese da delação. Confio nas instituições”, afirmou Celina Leão em entrevistas recentes.
Implicações políticas do julgamento
O julgamento da ADI 7881 tem implicações eleitorais imediatas. A decisão do STF pode redefinir quem pode ou não disputar as eleições gerais de outubro de 2026, com efeito direto em pelo menos uma dezena de nomes nacionalmente conhecidos. No DF, o tema também impacta movimentos da oposição e da base governista.
Celina Leão lidera pesquisas de intenção de voto para o GDF em 2026, com 28% segundo levantamento recente do Ipespe. O cenário, considerado favorável à atual governadora, pode mudar a depender da definição do STF sobre quem é elegível e sob quais condições. A negociação política também envolve articulações em torno de Senado e bancadas no Congresso.
Próximos passos no STF
Após o pedido de destaque, o caso BRB aguarda inclusão em pauta do plenário físico. A ADI 7881, por sua vez, tem janela já definida: 22 a 29 de maio. Os encontros institucionais entre autoridades e ministros do Supremo são parte do processo regular — embora gerem holofotes adicionais em momentos politicamente sensíveis como o atual.
Estilo de Cristiano Zanin no STF é descrito como técnico e cauteloso. Indicado pelo presidente Lula em 2023, o ministro tem perfil discreto e costuma evitar declarações públicas sobre processos em curso. Sua relatoria em casos com forte componente eleitoral tem sido acompanhada com atenção pelo mundo político de Brasília e por analistas jurídicos.
Outros temas eleitorais correm em paralelo no STF. A pesquisa Ipespe que coloca Celina na liderança reflete um cenário ainda fluido, em que decisões do Supremo podem ampliar ou restringir o campo de candidaturas viáveis para 2026.








