Herbário do Jardim Botânico de Brasília guarda 38.824 plantas do Cerrado
O Herbário Ezechias Paulo Heringer reúne 7.111 espécies do Cerrado em 280 famílias botânicas e ganhou espaço para chegar a 52 mil amostras.

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O Jardim Botânico de Brasília guarda no Lago Sul uma coleção que quase nenhum visitante vê. O Herbário Ezechias Paulo Heringer reúne 38.824 exsicatas, plantas coletadas, secas e montadas em papel para estudo, e nelas estão registradas 7.111 espécies do Cerrado, distribuídas em 280 famílias botânicas.
O número saiu de nota da Agência Brasília publicada em 10 de setembro, no mês em que o bioma tem data própria, 11 de setembro. O acervo fica fora do roteiro de trilhas e jardins e funciona como o arquivo da flora que cerca a cidade.
O que é uma exsicata e por que 38.824 delas importam
Exsicata é o exemplar de planta que o pesquisador coleta no campo, prensa, seca e fixa em uma cartela, com etiqueta de data, local e quem coletou. Ela vira prova física de que aquela espécie existia naquele ponto do Cerrado naquele ano.
É esse conjunto que permite responder a perguntas que uma foto não resolve: se uma espécie sumiu de uma área, se a floração mudou de época, se a planta que apareceu em um lote urbano é nativa ou invasora. Um herbário é, na prática, a memória botânica de uma região.
As 280 famílias do acervo dão a medida da variedade do bioma. Em setembro, quem percorre as trilhas do Jardim encontra parte dessas espécies em flor ou em fruto: cajuzinho-do-cerrado, cagaita, mangaba, ipês, pequi, jatobá e sucupira.
Por que a coleção passou a caber 52 mil amostras
Neste ano, o herbário concluiu a instalação de armários deslizantes, o sistema de trilhos que elimina os corredores fixos entre as estantes. A mudança ampliou a capacidade de armazenamento de cerca de 38 mil para até 52 mil amostras.
A conta é simples e diz respeito às próximas décadas: com 38.824 exsicatas já depositadas, o acervo tinha pouco espaço livre. Agora tem margem para outras 13 mil, o que sustenta a coleta de campo dos próximos anos sem obra nova.

Que pesquisa o Jardim Botânico faz fora das trilhas
O Laboratório de Fauna acompanha as espécies que vivem na área protegida com monitoramento de borboletas e armadilhas fotográficas. O lobo-guará está entre os animais já registrados e é objeto de estudos sobre alimentação e parasitas.
Na flora, o Laboratório de Reprodução in vitro trabalha desde 2025 com a multiplicação de espécies nativas raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção. Ele foi criado em 2003 para reproduzir orquídeas e hoje produz mudas que vão para a Coleção Científica de Plantas Vivas ou para projetos de recuperação ambiental, inclusive dentro da Estação Ecológica do próprio Jardim.
"O Mês do Cerrado é uma oportunidade para chamar atenção para um bioma que faz parte da vida de quem mora em Brasília. No Jardim, queremos que o visitante tenha contato com esse Cerrado, conheça a biodiversidade e saia daqui percebendo que preservar também é uma responsabilidade de todos", diz Allan Freire, diretor-presidente do JBB.
Quem quiser entender por que o bioma reage ao fogo e à seca do jeito que reage encontra o assunto detalhado na matéria sobre o Cerrado de Brasília e as razões das queimadas na estação seca.
Como visitar o Jardim Botânico e quanto custa
- Funcionamento: de terça a domingo, inclusive feriados, das 9h às 17h.
- Ingresso: R$ 5 por pessoa.
- Gratuidade: crianças de até 12 anos incompletos, pessoas com deficiência e maiores de 60 anos.
- Dias sem cobrança: domingos e feriados, entrada gratuita para todos.
- Onde fica: Lago Sul, na área da Estação Ecológica do Jardim Botânico.
O roteiro aberto ao público inclui o Jardim Sensorial, o Jardim Japonês, o Jardim Evolutivo, o Jardim de Contemplação, a Alameda das Nações, o Espaço Ciência e as trilhas interpretativas, com percursos de duração diferente.
Como agendar uma visita guiada com educador
A equipe de Educação Ambiental recebe escolas, instituições, projetos sociais e outros grupos em duas modalidades. Na primeira, um educador ambiental conduz o grupo pelos espaços e trabalha temas de flora, fauna, água, solo, ecologia e conservação. Na segunda, chamada de acolhimento, a equipe apresenta as orientações e o grupo segue sozinho.
Em 2026, as visitas com educador acontecem às terças e quintas-feiras, de manhã e à tarde. O grupo precisa ter no mínimo dez pessoas, o tamanho máximo varia conforme a faixa etária e o agendamento tem de ser feito com pelo menos 15 dias de antecedência. É a regra que decide se a turma entra ou não: pedido em cima da hora não é atendido.
Para quem quer o Cerrado além dos portões do Jardim, o roteiro dos Caminhos do Planalto Central, com 400 km de trilha ligando o Eixo Monumental ao bioma, dá o mapa completo.
Quem pretende levar um grupo ainda neste ano precisa contar os 15 dias para trás a partir da data pretendida e fechar o agendamento antes. Para a visita comum, basta chegar em um dia de semana e evitar a fila dos domingos, quando a entrada é liberada.






