Desmatamento no Cerrado cai 23% em 2026 e 8% dentro de unidades de conservação
O Cerrado perdeu 5,5 mil km² em 2026, 23% menos que em 2025; nas unidades de conservação, queda de 8%, com a APA do Planalto Central entre as cinco mais atingidas.

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O Cerrado perdeu 5,5 mil quilômetros quadrados de vegetação em 2026, 23% menos que em 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgados nesta sexta-feira, 23, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Dentro das unidades de conservação federais do bioma, a queda foi de 8%. A informação é da Agência Brasil.
Quanto o Cerrado perdeu dentro das áreas protegidas
O INPE identificou 47 km² derrubados em 29 unidades de conservação do Cerrado, que somam 6,25 milhões de hectares. Essa área corresponde a 0,9% de todo o desmatamento do bioma no ano: a maior parte da perda ocorreu fora das áreas protegidas.
| Indicador de 2026 | Cerrado | Amazônia Legal |
|---|---|---|
| Desmatamento dentro de unidades de conservação | 47 km² (queda de 8%) | 111 km² (queda de 17%) |
| Unidades de conservação analisadas | 29 unidades, 6,25 milhões de hectares | 150 unidades, 64 milhões de hectares |
| Desmatamento total do bioma | 5,5 mil km² (queda de 23%) | não informado na nota |
Na Amazônia Legal, os 111 km² registrados dentro de unidades de conservação são o menor nível desde o início da série, em 2008. O pico foi em 2021, com 618 km², e a redução desde então é de 82%.
Quais unidades do Cerrado mais perderam vegetação
As cinco unidades do Cerrado que mais perderam vegetação foram as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Nascentes do Rio Vermelho, em Goiás, e do Planalto Central, e a do Delta do Parnaíba. Juntas, concentram 70% do desmatamento dentro das unidades do bioma. A reportagem da Agência Brasil situa a APA do Planalto Central perto do Parque Nacional de Brasília.
Para quem mora no Distrito Federal, o dado tem endereço: o DF está no Cerrado e abriga o Parque Nacional de Brasília, que a reportagem cita como vizinho da APA do Planalto Central. A nota do ICMBio, porém, não detalha quanto da perda da APA do Planalto Central ocorreu em território do DF e quanto em municípios vizinhos de Goiás. O número por unidade fica na base do INPE.
O que o ICMBio diz
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, afirmou em posicionamento enviado à imprensa que o resultado demonstra a importância das unidades de conservação para a proteção da biodiversidade e para a segurança das pessoas que vivem nelas.
"Nosso país tem, nessas unidades, um polo de proteção da vida", disse Pires.
Segundo o órgão, a queda na Amazônia reflete ações de fiscalização nas áreas mais pressionadas, embora 3% do corte ilegal ainda ocorra em locais protegidos. O ICMBio não atribuiu a redução do Cerrado, mais lenta, a uma causa específica.
Os números por unidade e a metodologia do monitoramento por satélite estão no site do ICMBio. O SouBrasília já havia reunido as ações pelo Cerrado no Dia Mundial do Meio Ambiente, para quem quer acompanhar o tema na capital.






