A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na quinta-feira (30) a Operação Falsa Acompanhante, que investiga um grupo suspeito de extorquir vítimas com anúncios falsos de garotas de programa na internet. Dois homens, de 29 e 27 anos, foram indiciados por extorsão.
Segundo a apuração, os criminosos publicavam anúncios de serviços de acompanhante em sites e aplicativos. Depois do primeiro contato da vítima, começava uma sequência de ameaças com exigência de pagamento, sustentada na alegação de que os autores pertenciam ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação ficou a cargo da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Tramandaí e Imbé, no Rio Grande do Sul, embora a apuração tenha partido do Distrito Federal.
Como o golpe funcionava
O roteiro é conhecido pelas delegacias que tratam de crimes cibernéticos e se repete com pequenas variações. O primeiro passo é o anúncio, feito em plataformas de fácil acesso e com fotos que não pertencem a quem opera a conta. O contato inicial parte da vítima, atraída pelo preço ou pela disponibilidade imediata.
A partir daí, o golpe muda de natureza. Em vez de negociar o encontro, o autor passa a cobrar valores sob pretextos variados, e o pedido vem acompanhado de ameaça de exposição, de agressão ou de retaliação contra familiares. A menção a uma facção criminosa serve para elevar o custo psicológico da recusa.
- Anúncio falso de acompanhante em site ou aplicativo, com fotos de terceiros
- Contato iniciado pela vítima, o que dá aparência de normalidade à conversa
- Cobranças sucessivas, sob ameaça de exposição ou de violência
- Uso do nome de facção criminosa para intimidar e apressar o pagamento
- Pedido de transferências, em geral por Pix e em valores fracionados
A referência ao PCC não significa, por si só, que os autores integrem a facção. Em golpes desse tipo, o nome de organizações criminosas é usado como instrumento de intimidação, porque dispensa qualquer prova e produz efeito imediato sobre quem recebe a ameaça. O indiciamento no caso investigado pela PCDF foi por extorsão, não por integrar organização criminosa.
Por que a vítima costuma não denunciar
O constrangimento é parte do cálculo do criminoso. Como o contato envolve a contratação de serviço sexual, muitas vítimas evitam registrar ocorrência com medo de exposição familiar ou profissional, o que reduz o risco para o autor e permite que o mesmo grupo atue por meses.
A orientação policial é a oposta: registrar a ocorrência e preservar as provas. Não é preciso comparecer à delegacia para dar início ao procedimento, já que a PCDF mantém a Delegacia Eletrônica para registro à distância. Conversas, números de telefone, perfis e comprovantes de transferência são o material que sustenta a investigação.
Outro ponto que favorece o autor é a distância. No caso desta operação, os mandados foram cumpridos a mais de dois mil quilômetros do Distrito Federal, o que mostra que a atuação por aplicativos dispensa qualquer proximidade física entre criminoso e vítima e exige cooperação entre polícias de estados diferentes.
O que fazer se você for alvo
- Interrompa o contato e não faça nenhum pagamento; a cobrança não termina no primeiro valor
- Salve as conversas com data e horário, os perfis usados e os dados bancários informados
- Registre ocorrência na Delegacia Eletrônica da PCDF ou em uma delegacia
- Comunique o banco em caso de Pix já feito e peça o Mecanismo Especial de Devolução
- Denuncie o anúncio na plataforma onde ele foi publicado
A extorsão está prevista no artigo 158 do Código Penal, com pena de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa. A pena é agravada quando o crime é cometido por duas ou mais pessoas ou com emprego de arma. Quando há ameaça de divulgar conteúdo íntimo ou constrangedor, o caso pode ainda envolver outros tipos penais, como a extorsão qualificada e crimes contra a honra.
A PCDF orienta que a vítima não negocie valores nem tente identificar o autor por conta própria. O contato adicional costuma ser usado pelo criminoso para reforçar a ameaça e obter novos dados pessoais, como local de trabalho e nome de familiares.
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Perguntas frequentes
Como registrar a ocorrência sem ir à delegacia no DF?
Pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Distrito Federal, disponível na internet, com registro a qualquer hora.
Qual a pena para o crime de extorsão?
De 4 a 10 anos de reclusão e multa, conforme o artigo 158 do Código Penal, com agravamento se houver concurso de pessoas ou uso de arma.
Dá para recuperar o dinheiro enviado por Pix?
É possível solicitar ao banco o Mecanismo Especial de Devolução, previsto para casos de fraude, sem garantia de recuperação integral.








