Uma mulher de 51 anos morreu no fim da tarde de sábado (8) depois que a motocicleta em que estava como passageira foi atingida por uma caminhonete em Formosa, cidade goiana do Entorno do Distrito Federal. O motorista do veículo maior deixou o local sem prestar socorro, e a Polícia Civil de Goiás investiga o caso.
O acidente ocorreu na Avenida Valeriano de Castro, na saída para o Salto do Itiquira. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, o chamado chegou por volta das 16h50. As duas equipes que atenderam a ocorrência relataram que os veículos seguiam no mesmo sentido quando a caminhonete atingiu a moto por trás.
A passageira teve ferimentos graves e já não apresentava sinais vitais quando os bombeiros chegaram. O condutor da motocicleta sobreviveu e foi levado a um hospital da cidade. A identidade da vítima não foi divulgada pelas autoridades até a publicação desta reportagem.
Quem atendeu a ocorrência
O atendimento reuniu quatro órgãos de Goiás, cada um com uma função na cena. A divisão é a padrão para acidentes com morte em via urbana no estado:
- Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO): resgate das vítimas e avaliação no local.
- Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu): suporte avançado e transporte do motociclista.
- Polícia Militar de Goiás (PMGO): isolamento da área e primeiros registros.
- Polícia Civil de Goiás (PCGO): investigação da dinâmica e identificação do condutor que fugiu.
A perícia trabalha com os elementos deixados na pista para reconstruir a trajetória dos dois veículos. O ponto central da apuração é a identificação do motorista da caminhonete, já que não houve prisão em flagrante.
Fugir do local é crime
A saída do condutor sem prestar socorro tem consequência penal própria, independente do resultado da apuração sobre a culpa no acidente. O Código de Trânsito Brasileiro tipifica a conduta no artigo 305.
Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída tem pena de detenção de seis meses a um ano, ou multa. O Supremo Tribunal Federal declarou o dispositivo constitucional ao julgar o Tema 907, ao entender que permanecer no local para identificação não viola o direito de não produzir prova contra si.
Na prática, isso significa que o motorista responde pela fuga mesmo que a investigação conclua depois que ele não teve culpa na colisão. A tipificação existe justamente para garantir a identificação de quem estava na direção e a prestação de socorro imediato às vítimas.
A rota que liga o DF ao Salto do Itiquira
O trecho onde ocorreu a colisão é o caminho de saída para o Salto do Itiquira, uma das cachoeiras mais procuradas por moradores do Distrito Federal em fins de semana e feriados. O fluxo de brasilienses pela cidade se concentra justamente nesse eixo, o que torna o ponto conhecido de quem faz o trajeto com frequência.
Formosa é uma das cidades goianas que compõem a área metropolitana do Distrito Federal e integra a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, a Ride-DF. O deslocamento diário de trabalhadores e estudantes entre a cidade e Brasília coloca a malha viária do município no radar de quem circula pela região.
O que a investigação precisa responder
Sem prisão em flagrante e sem o veículo apreendido, o inquérito depende de três frentes que costumam correr em paralelo em casos de evasão. A primeira é a identificação do modelo e da placa da caminhonete, reconstruída a partir de fragmentos deixados na pista e de relatos de quem passou pelo trecho.
- Caracterização do veículo: peças, marcas de tinta e avarias compatíveis com o impacto traseiro.
- Rastreamento por imagem: câmeras de comércios e de residências no eixo da Avenida Valeriano de Castro.
- Laudo pericial: velocidade estimada, ponto de impacto e posição final dos veículos na via.
A colisão traseira contra uma motocicleta é o tipo de impacto que costuma resultar em lesão grave mesmo em velocidade moderada, porque o ocupante do veículo de duas rodas não tem estrutura de proteção. No caso de Formosa, a passageira ocupava a garupa, posição em que a projeção após o choque é maior.
Como repassar informações
Quem tiver informações que ajudem a identificar o motorista da caminhonete pode acionar a Polícia Militar de Goiás pelo 190 ou procurar a delegacia responsável pelo caso em Formosa. Imagens de câmeras de estabelecimentos e de veículos que passavam pelo trecho no horário são o tipo de material mais usado nesse estágio da investigação.
Leia também: motociclista morre em colisão na BR-040, em Santa Maria.
A Polícia Civil de Goiás não informou prazo para a conclusão do inquérito. Enquanto o condutor não é localizado, o caso segue registrado como acidente com vítima fatal e evasão do local.
Perguntas frequentes
Onde foi o acidente em Formosa?
Na Avenida Valeriano de Castro, na saída para o Salto do Itiquira, em Formosa (GO), por volta das 16h50 de sábado (8).
O que aconteceu com as vítimas?
A passageira da motocicleta, de 51 anos, morreu no local. O condutor da moto sobreviveu e foi levado a um hospital da cidade.
O motorista da caminhonete foi preso?
Não. Ele deixou o local sem prestar socorro e é procurado pela Polícia Civil de Goiás, que investiga o caso.
Fugir do local do acidente é crime?
Sim. O artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro prevê detenção de seis meses a um ano, ou multa, para o condutor que se afasta do local para fugir à responsabilidade penal ou civil.
Como repassar informações sobre o caso?
Pelo 190, da Polícia Militar de Goiás, ou diretamente na delegacia responsável em Formosa.








