O governo dos Estados Unidos concedeu green card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, à mulher dele, Heloísa, e aos dois filhos do casal, Geórgia e Jair Henrique. A informação foi revelada nesta segunda-feira (20) pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada pelo Poder360 e pelo Metrópoles.
Os documentos foram emitidos no início de julho, segundo apurou o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, com interlocutores do ex-parlamentar. O green card garante residência permanente nos Estados Unidos, onde Eduardo vive desde fevereiro de 2025.
De acordo com a reportagem da Folha, o ex-deputado foi enquadrado na categoria EB-1A, reservada pelo governo americano a estrangeiros com habilidades consideradas extraordinárias. O pedido havia sido apresentado há cerca de um ano.
Documento saiu um mês após condenação no STF
A autorização de residência veio pouco mais de um mês depois de Eduardo Bolsonaro ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em junho, a 4 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Para a Primeira Turma da Corte, o então deputado atuou junto ao governo de Donald Trump para pressionar ministros durante o julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao longo do processo, o ministro Alexandre de Moraes registrou o entendimento de que a atuação internacional do parlamentar extrapolava as atribuições do cargo.
“Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”, afirmou Moraes, em manifestação citada pelo Correio Braziliense.
Eduardo se mudou para os Estados Unidos em fevereiro de 2025, inicialmente com licença do mandato, para se dedicar à articulação com o governo americano em defesa do pai. Em dezembro de 2025, perdeu a cadeira na Câmara por excesso de faltas, como registrou o Poder360.
O que o green card garante
- Residência permanente e direito de morar e trabalhar legalmente nos Estados Unidos;
- Acesso a benefícios públicos em condições próximas às de um cidadão americano;
- Não confere cidadania americana nem direito a voto;
- Após cinco anos, o portador pode pedir a naturalização, segundo o Metrópoles.
Na prática, o documento consolida a permanência da família no país e afasta o risco de perda do status migratório, que dependia de vistos temporários. Para o Correio Braziliense, a concessão expõe a blindagem construída pela família Bolsonaro em Washington.
Situação no Brasil não muda
O green card não altera a situação de Eduardo Bolsonaro perante a Justiça brasileira. A condenação imposta pelo STF segue valendo, e o cumprimento da pena depende do encerramento dos recursos no processo, que tramita na Corte, em Brasília.
A concessão ocorre em meio à tensão diplomática entre Brasília e Washington, agravada desde que o governo Trump adotou sanções contra autoridades brasileiras, e amplia a série de capítulos recentes envolvendo a família do ex-presidente no Supremo. Na semana passada, Jair Bolsonaro recorreu ao STF para voltar a receber as visitas do filho Flávio, depois que Moraes suspendeu por 90 dias os encontros do senador com o pai.
Nos próximos meses, a defesa do ex-deputado ainda pode apresentar recursos contra a condenação. Nos Estados Unidos, o caminho da família passa a ser o prazo de cinco anos de residência permanente exigido para o pedido de cidadania.








