sáb, 24 out

Emissões do Brasil caem 9% em 2025 e chegam ao menor nível líquido desde 2012

SEEG aponta 1,41 bilhão de toneladas líquidas, 6% acima da meta de 1,32 bilhão. Desmatamento puxou a queda; energia e resíduos subiram.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Vista aérea de floresta amazônica, bancos de areia e rios em Barcelos, no Amazonas
Foto: Pexels (ilustrativa)
Neste texto3 tópicos
  1. Qual a diferença entre emissão líquida e bruta?
  2. O Brasil cumpriu a meta climática de 2025?
  3. De onde veio a queda e onde as emissões subiram?

O Brasil emitiu 1,41 bilhão de toneladas líquidas de gases de efeito estufa em 2025, 9% a menos que em 2024, e chegou ao menor nível desde 2012. Os dados são da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, divulgada na quarta-feira, 21.

A informação foi publicada pela Agência Brasil e detalhada pelo Diário do Grande ABC.

Qual a diferença entre emissão líquida e bruta?

A emissão bruta é o que o país efetivamente lançou na atmosfera. A líquida desconta desse total o carbono removido pela vegetação secundária, que cresce em áreas já desmatadas, e pelas áreas protegidas. O governo costuma reportar a líquida nas metas climáticas, enquanto o SEEG prefere destacar a bruta.

Indicador20242025Variação
Emissão líquida1,489 bilhão de t CO2e1,41 bilhão de t CO2e-9%
Emissão bruta2,19 bilhões de t CO2e2,06 bilhões de t CO2e-6%

A bruta de 2025 é a menor desde 2018. Segundo o coordenador do SEEG, David Tsai, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), o país cortou em um quarto as emissões brutas nos últimos quatro anos.

O Brasil cumpriu a meta climática de 2025?

Ainda não. A meta da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2025 era limitar as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas. O país ficou cerca de 6% acima, algo como 85 milhões de toneladas, segundo a cobertura do Diário do Grande ABC. A expectativa do Observatório do Clima é que a meta de 2026 seja cumprida e até superada, por causa do recuo do desmatamento.

De onde veio a queda e onde as emissões subiram?

O principal fator foi a mudança de uso da terra, que inclui o desmatamento. O setor emitiu 814 milhões de toneladas brutas, queda de 15% sobre as 957 milhões de 2024.

Nos outros setores, o quadro foi de estabilidade ou alta:

  • Energia: alta de 1,2%, para 427 milhões de toneladas, puxada pelo consumo de diesel nos transportes. O Iema afirma que as emissões dos transportes seguem batendo recorde histórico.
  • Resíduos: alta de 3,6%, para 96 milhões de toneladas. É o setor que mais cresce em proporção, ligado ao aumento da população, apesar de responder por menos de 5% do total.
  • Agropecuária: a pecuária reduziu as emissões em 1,68%, mesmo com produção de gado bovino 7,2% maior. A agricultura subiu 6,45%, para 132,1 milhões de toneladas.

Tsai alertou que, se os demais setores não começarem a reduzir as emissões, ficará difícil cumprir as próximas metas da NDC. Hoje, a queda depende quase toda do freio no desmatamento.

A meta de longo prazo está no plano climático lançado pelo governo em abril, que prevê cortar de 59% a 67% das emissões até 2035. A matéria será atualizada se o Observatório do Clima divulgar o recorte por estado.

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