qua, 21 out

El Niño pode ser o mais forte em 40 anos, alerta OMM; ONU projeta 2,8 °C até 2100

Diretora da OMM diz que o fenômeno pode superar o de qualquer das últimas quatro décadas. Pnuma vê 2,8 °C de aquecimento até 2100 com as políticas atuais.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Bombeiro militar do DF observa fumaça de incêndio em vegetação seca no Lago Sul, em foto de arquivo de 2015
Foto: Renato Araújo/Agência Brasília (CC BY 2.0)/Wikimedia Commons
Neste texto3 tópicos
  1. O que a OMM disse sobre o El Niño
  2. Os números do relatório do Pnuma
  3. E o Distrito Federal?

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou nesta quarta-feira, 21, que o El Niño em curso pode superar em intensidade tudo o que foi registrado nas últimas quatro décadas. No mesmo dia, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) projeta aquecimento de 2,8 °C até 2100 se os países mantiverem as políticas atuais.

O que a OMM disse sobre o El Niño

O alerta veio da secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, segundo a Agência Brasil, que reproduziu texto da Reuters. Ela disse que o fenômeno deve levar ondas de calor a algumas regiões e alterar os padrões de chuva: seca severa em certos lugares e inundações em outros. A OMM é a agência meteorológica da ONU.

O Brasil já tem números do evento. Em audiência na Câmara em setembro, o professor Paulo Antunes Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina, citou anomalia de 3 °C no Pacífico equatorial e pico previsto para novembro. A previsão apresentada na ocasião era de seca no centro-norte e chuva no centro-sul do país. A cobertura está em El Niño chega a 3 °C acima da média e pico é previsto para novembro.

Os números do relatório do Pnuma

O relatório do Pnuma divulgado nesta quarta traz estas projeções, conforme a Agência Brasil:

  • 2,8 °C de aquecimento até 2100 com as políticas atuais.
  • 2,6 °C se os países cumprirem integralmente os compromissos já assumidos.
  • 1,7 a 1,8 °C acima do nível pré-industrial até meados do século, mesmo no cenário mais otimista.

As estimativas são maiores que as do ano passado. O Pnuma atribui a revisão à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à reavaliação das emissões históricas. Para voltar à trajetória de 1,5 °C, as emissões teriam de cair 18% em relação a 2025 até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040. Os planos nacionais atuais cortariam apenas de 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que "ultrapassar a meta não significa desistir" e que ainda é possível manter o aumento da temperatura o menor e mais curto possível. A próxima rodada de negociações climáticas, a COP31, será na Turquia.

E o Distrito Federal?

O DF chega ao período com o solo seco. O Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apontou 100% do território do DF em seca em setembro. Nesta quarta, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém aviso amarelo de baixa umidade no DF até as 22h.

A OMM não detalhou, nas reportagens consultadas, o efeito do El Niño sobre o Centro-Oeste. A previsão local do Inmet, atualizada diariamente, é a referência para o tempo na semana.

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