sex, 25 set
Meio Ambiente

El Niño chega a 3°C acima da média e pico é previsto para novembro, alerta audiência na Câmara

Audiência da Comissão de Meio Ambiente ouviu que o El Niño atual já está entre os mais fortes da história e tem pico previsto para novembro.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Professor Paulo Antunes Horta fala ao microfone durante audiência na Câmara dos Deputados
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Neste texto5 tópicos
  1. Por que este El Niño preocupa mais do que os anteriores
  2. O que muda na chuva e no calor de Brasília
  3. Quais leis já existem e o que falta aplicar
  4. O que fazer nos dias de calor e umidade baixa
  5. O que acontece agora

O El Niño de 2026 já está entre os mais fortes da história e tem pico previsto para novembro, segundo especialista ouvido nesta semana pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Em 19 de setembro, o Pacífico equatorial chegou a 3°C acima da média.

  • A anomalia de 3°C registrada em 19 de setembro é a maior já medida em um único dia.
  • O pico do fenômeno é esperado para novembro, e a Organização Mundial de Meteorologia projeta duração até fevereiro.
  • Para o Brasil, a previsão apresentada é de seca no centro-norte, chuva no centro-sul e calor em todo o país.
  • Uma consultora da própria Câmara afirmou que as leis para lidar com o quadro já existem e não são aplicadas.
  • Em Brasília, o Inmet prevê para esta sexta-feira máxima de 31°C e umidade mínima de 30%.

Por que este El Niño preocupa mais do que os anteriores

Quem levou os números à comissão foi o professor Paulo Antunes Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina. O El Niño é o aquecimento das águas equatoriais do Oceano Pacífico. O evento atual começou em junho e vem sendo potencializado pelas mudanças climáticas, segundo o pesquisador.

"Isso é uma anomalia que já coloca de maneira muito antecipada esse El Niño entre os mais fortes da história, sendo que o seu pico está previsto para acontecer em novembro. Esse El Niño pode produzir prejuízos da magnitude do El Niño de 1877, quando cerca de 50 milhões de seres humanos morreram de fome, sede e doenças", disse Horta na audiência.

Ele citou ainda projeção do Climate Impact Lab de 450 mil mortes por onda de calor no mundo nos próximos seis meses, concentradas no hemisfério sul. O Brasil aparece em quinto lugar entre os países mais impactados, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.

O professor também apontou efeito econômico. Para ele, a combinação de seca severa e chuva concentrada atinge agricultura, pecuária, produção de alimento, pesca e maricultura ao mesmo tempo. A recomendação que apresentou aos deputados foi mapear a vulnerabilidade de cada município e garantir segurança alimentar, hídrica, sanitária, energética e civil.

Tabela com os números do El Niño apresentados na audiência da Câmara dos Deputados
Os seis indicadores apresentados aos deputados na audiência de 24 de setembroArte: Sou Brasília, com dados da Agência Câmara

O que muda na chuva e no calor de Brasília

A previsão apresentada na Câmara coloca o centro-sul do país na faixa de chuva e o centro-norte na faixa de seca. O Distrito Federal fica na transição entre as duas, e é por isso que o começo da estação chuvosa aqui costuma ser irregular: chove forte num dia e a umidade despenca no seguinte.

Para esta sexta-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê em Brasília muitas nuvens com possibilidade de chuva isolada, máxima de 31°C e umidade mínima de 30%. Para sábado, a previsão é de muitas nuvens, máxima de 32°C e a mesma umidade mínima de 30%. O índice considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde é de 60%.

A primeira chuva não encerra o período crítico. Em agosto, o Distrito Federal já havia chegado a 2.844 incêndios em vegetação registrados pelo Corpo de Bombeiros, e o solo seco continua respondendo rápido a qualquer foco. Quem quiser entender o calendário da estação pode ver o que muda com a chegada da primavera no regime de chuva da cidade.

Quais leis já existem e o que falta aplicar

A consultora legislativa da área ambiental da Câmara, Kenya Simões, afirmou na audiência que o arcabouço legal já está pronto e o problema é de execução.

"Antes de El Niño, o que já existe na lei? Resumindo: plano de contingência, população das áreas de risco cadastrada, a questão da evacuação, a questão de abrigo, alertas testados, sirene, mensagens, simulados, rotas, pontos seguros, recursos. A lei hoje já traz todo o ciclo de gestão e proteção de defesa civil. A gente precisa começar a executar a política", disse.

Entre as normas citadas por ela estão a Política Nacional sobre Mudança do Clima, a Lei 12.340/10, que trata das transferências da União para prevenção e recuperação de desastres, a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, criada após as mais de 900 mortes na Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, e a Lei 14.904/24, que fixa diretrizes para os planos de adaptação climática. O Executivo publicou o Plano Clima Adaptação e os planos setoriais de risco e desastres em fevereiro deste ano.

A consultora lembrou ainda que auditorias do Tribunal de Contas da União apontaram a necessidade de aprimorar os alertas, capacitar as defesas civis locais e adotar medidas preventivas.

O que fazer nos dias de calor e umidade baixa

  • Umidade abaixo de 30%: evite atividade física ao ar livre entre 10h e 16h e aumente a ingestão de água.
  • Fumaça ou fogo em vegetação: acione o Corpo de Bombeiros pelo 193, com ponto de referência e sentido do vento.
  • Risco de alagamento ou queda de árvore: a Defesa Civil atende pelo 199.
  • Alertas por celular: o sistema de mensagens da Defesa Civil dispara aviso na região afetada sem necessidade de cadastro.
  • Previsão diária: o Inmet publica avisos por município em portal.inmet.gov.br, com cor de severidade e horário de início e fim.

O que acontece agora

A comissão da Câmara fiscaliza o tema por meio da Comissão Especial sobre Prevenção e Auxílio a Desastres e Calamidades Naturais e de comissões externas criadas para as enchentes no Rio Grande do Sul e na Zona da Mata mineira. O pedido feito pelo professor foi direto: que o Parlamento assuma o protagonismo no enfrentamento dos efeitos do fenômeno, porque, nas últimas quatro décadas, esses eventos ficaram mais intensos e mais frequentes.

Para quem mora no Distrito Federal, o ponto prático é acompanhar os avisos do Inmet e da Defesa Civil até o pico de novembro, quando a projeção apresentada na Câmara indica a fase mais aguda do fenômeno. O texto integral do debate está na Agência Câmara.

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