seg, 26 out

Emissão líquida de gases do Brasil cai 9% em 2025 e é a menor desde 2012

O Brasil emitiu 1,41 bilhão de toneladas líquidas de gases de efeito estufa em 2025, 9% a menos que em 2024. Desmatamento puxou a queda, mostra o Seeg.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Coluna de fumaça sobe de queimada ao lado de área de floresta, em foto aérea de arquivo
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Neste texto3 tópicos
  1. O que mudou entre 2024 e 2025
  2. O país cumpriu a meta climática de 2025?
  3. E o Cerrado do Distrito Federal?

O Brasil emitiu 1,41 bilhão de toneladas líquidas de gases de efeito estufa em 2025, o menor volume desde 2012, segundo o Observatório do Clima. A queda é de 9% sobre 2024 e vem quase toda do corte no desmatamento.

Os números são da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), divulgada na quarta-feira, 21. Os dados constam da cobertura da Agência Brasil e da base pública do Seeg.

O que mudou entre 2024 e 2025

A conta líquida desconta o carbono que a vegetação secundária e as áreas protegidas retiram do ar. Em 2024, o país tinha emitido 1,489 bilhão de toneladas nessa medida. Em 2025, ficou em 1,41 bilhão.

Sem esse desconto, as emissões brutas somaram 2,06 bilhões de toneladas, contra 2,19 bilhões no ano anterior. É uma queda de 6% e o menor total bruto desde 2018.

O coordenador do Seeg, David Tsai, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente, resumiu o período recente: em quatro anos, o Brasil cortou um quarto das emissões brutas. Nos 13 anos anteriores, desde a Política Nacional do Clima de 2009, elas haviam crescido dois terços.

Como o dado nacional se divide por setor:

SetorEmissões em 2025Variação sobre 2024
Mudança de uso da terra (desmatamento)814 milhões de tqueda de 15%
Agropecuária626 milhões de tqueda de 0,1%
Energia427 milhões de talta de 1,2%
Resíduos96 milhões de talta de 3,6%
Processos industriais94 milhões de talta de 0,2%

Os valores são de emissões brutas em CO2 equivalente, segundo o Seeg.

O desmatamento responde por 39% do total bruto. A agropecuária, com as emissões diretas, soma outros 30%, e a energia aparece com 21%. Resíduos e indústria têm 5% cada.

Na conta líquida, o setor de uso da terra caiu 48%: de 311 milhões para 162 milhões de toneladas. É o menor valor da série histórica do Seeg.

O país cumpriu a meta climática de 2025?

Quase. A primeira meta brasileira no Acordo de Paris, apresentada em 2015, limitava as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas em 2025. O país ficou 85 milhões de toneladas acima.

Para 2026, a expectativa é de que o limite de 2025 seja alcançado, depois da queda recorde do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Tsai avalia que o país ficará entre a meta de 2025 e a de 2030. Dados prévios do Observatório do Clima estimam emissão líquida negativa de 24 milhões de toneladas por desmatamento neste ano.

Em 2030, a meta é mais exigente. A segunda NDC, apresentada em 2025, fixa uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas.

O alerta do coordenador vale para o que vem depois: "É uma grande vitória a queda das emissões pelo desmatamento, mas se os outros setores, a partir de agora, não começarem a reduzir as suas emissões vai ficar difícil a gente conseguir cumprir as próximas metas da NDC".

E o Cerrado do Distrito Federal?

O Seeg mede o país inteiro, e o desmatamento é a variável que mais pesa na conta. Para o recorte da região, o SouBrasília publicou a queda do desmatamento nas unidades de conservação do Planalto Central.

Outra fonte de emissão que o morador do DF pode ajudar a conter é o fogo. O guia de como denunciar queimadas no DF reúne os canais oficiais.

A próxima atualização do Seeg com a estimativa de 2026 depende do Observatório do Clima, que ainda não informou data. As séries por setor e por estado podem ser consultadas na plataforma do Seeg.

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