DF será a primeira unidade da Federação com três senadoras: Damares, Michelle e Bia Kicis
Com a eleição de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, as três cadeiras do DF no Senado serão de mulheres a partir de fevereiro. Congresso terá 18 senadoras e 109 deputadas, recorde histórico.

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O Distrito Federal será a primeira unidade da Federação a ter as três cadeiras do Senado ocupadas por mulheres. A partir de fevereiro de 2027, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas em 4 de outubro, vão se juntar à senadora Damares Alves (Republicanos), que tem mandato até 2031.
O dado foi levantado pela Agência Senado, que também aponta recorde nacional: o próximo Congresso terá a maior bancada feminina da história.
Quantas mulheres vão estar no Congresso a partir de 2027?
| Casa | Início da legislatura em 2023 | A partir de 2027 | Fatia da Casa |
|---|---|---|---|
| Senado | 11 senadoras | 18 senadoras | 22% |
| Câmara | 91 deputadas | 109 deputadas | 21% |
Também é inédito o número de mulheres eleitas para o Senado em uma só eleição: foram 12, incluindo as duas do DF. Pela primeira vez, senadoras e deputadas vão somar cerca de um quinto do Congresso Nacional.
Como o DF chegou a um Senado só de mulheres
Em 2026, cada estado e o DF elegeram dois senadores, renovando dois terços da Casa. No DF estavam em disputa as cadeiras ocupadas hoje por Izalci Lucas e Leila Barros, enquanto a vaga de Damares, eleita em 2022, segue até 2031. Michelle e Bia Kicis ficaram com as duas vagas em jogo, cenário que o SouBrasília acompanhou desde a análise sobre as duas cadeiras em disputa no DF e o perfil das candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.
Bia Kicis deixa a Câmara dos Deputados, onde está no segundo mandato pelo DF. Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, disputou a primeira eleição da carreira.
Uma história recente
A presença feminina no Senado é nova. As primeiras senadoras, Eunice Michiles (AM), em 1979, e Laélia de Alcântara (AC), em 1982, assumiram como suplentes após a morte dos titulares. As primeiras eleitas, Júnia Marise (MG) e Marluce Pinto (RR), só chegaram à Casa em 1991. Na Câmara, a primeira deputada foi Carlota Pereira de Queirós (SP), eleita em 1933.
O avanço tem relação com mudanças na lei. Desde 1997, os partidos precisam lançar ao menos 30% de candidaturas de mulheres nas eleições para deputado e vereador, regra que passou a valer de fato em 2009, quando a palavra "reservar" foi trocada por "preencher". Desde 2022, a Emenda Constitucional 117 obriga as legendas a destinar às mulheres pelo menos 30% do tempo de rádio e TV e do fundo eleitoral.
O Brasil ainda está atrás
Mesmo com o recorde, a proporção fica longe dos cerca de 51% de mulheres na população. No ranking da União Interparlamentar, com base no resultado de 2022, a Câmara brasileira aparece em 138º lugar entre 183 países e o Senado em 62º entre 79. No México, mulheres ocupam cerca de metade do Senado; na Argentina, 47%.
Para a socióloga Vanilda Chaves, ouvida pela Agência Senado, o gargalo está na direção dos partidos, que define estratégia e distribuição de dinheiro de campanha: "Não adianta ter candidata se ela não recebe dinheiro para disputar a eleição".
As duas novas senadoras do DF tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura.
Fonte: Agência Senado.





