DF lidera ranking nacional de uso de cigarro eletrônico entre adolescentes, aponta pesquisa do IBGE
O Distrito Federal concentra o maior índice do país de adolescentes que já experimentaram cigarro eletrônico o vape ou pod. Segundo a 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE com dados de 2024, 43% dos estudantes brasilienses entre 13 e 17 anos já fizeram uso do dispositivo, número que supera todas as demais unidades da federação.
O levantamento ouviu alunos do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, tanto da rede pública quanto da privada, e revelou um retrato preocupante da saúde dos jovens brasileiros: mais exposição à violência sexual, gravidez na adolescência sem uso de preservativos, piora na saúde mental e crescente insatisfação com a própria imagem corporal.
DF no topo: meninas e escolas públicas concentram os maiores índices
No Distrito Federal, as meninas lideram a experimentação do cigarro eletrônico: 44,5% delas já usaram o produto, ante 43% dos meninos. O dado que mais chama atenção, porém, é a diferença entre as redes de ensino nas escolas públicas, o índice chega a 48,5%, quase 20 pontos percentuais acima das particulares, onde o percentual é de 29,7%.
No Brasil como um todo, quase 30% dos estudantes nessa faixa etária já experimentaram o produto proporção que praticamente dobrou entre 2019 (16,8%) e 2024 (29,6%). As regiões Centro-Oeste e Sul registraram os percentuais mais elevados do país, com 42% e 38,3%, respectivamente.
Para especialistas, o fenômeno tem raízes sociais claras. A psicóloga e gerente pedagógica do Colégio Católica Brasília, Nayara Varela, aponta que a popularização do vape, a pressão do grupo e a facilidade de acesso formam uma combinação perigosa para adolescentes em busca de pertencimento. A necessidade de ser aceito por determinados grupos pode induzir jovens ao consumo de drogas como estratégia de afirmação social, alerta a profissional.
Violência sexual: 1 em cada 10 jovens foi obrigado a ter relação sexual
A pesquisa também expôs dados alarmantes sobre violência sexual. Cerca de 8,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos relataram ter sido forçados a ter relações sexuais e 26,6% desses casos foram cometidos por outros membros da própria família.
Além disso, 18,5% dos entrevistados afirmaram ter sofrido algum tipo de abuso físico ou sexual sem consentimento, como toques, manipulações ou exposição forçada do corpo. Entre as meninas, esse percentual chegou a 26%, mais do que o dobro do registrado entre os meninos (10,9%). Em relação a 2019, houve crescimento de 3,8 pontos percentuais nos relatos de assédio sexual.
Gravidez na adolescência e queda no uso de preservativos
Apesar de uma ligeira redução na proporção de jovens sexualmente ativos de 35,9% em 2019 para 30,4% em 2024 , os dados sobre comportamento sexual preocupam. Mais de um terço dos estudantes que já tiveram relação sexual não usaram preservativo na primeira vez, e 33% recorreram à pílula do dia seguinte em algum momento.
O levantamento ainda identificou que 121 mil meninas entre 13 e 17 anos já engravidaram. Desse total, 98,7% estudavam em escolas da rede pública.
A pedagoga Juliene Braga, orientadora do Colégio Católica Brasília, reforça que a educação sexual precisa ser tratada como parte essencial do desenvolvimento humano e que o papel da família é insubstituível. Quando há abertura para o diálogo em casa, o adolescente se sente mais seguro para compartilhar dúvidas e situações delicadas, ressalta.
Saúde mental em crise: quase 1 em cada 5 jovens sente que a vida não vale a pena
O retrato da saúde mental dos jovens brasileiros também é preocupante. De acordo com a PeNSE, 18,5% dos adolescentes afirmaram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que a vida não vale a pena ser vivida. Entre as meninas, esse índice chega a 25% o dobro dos 12% registrados entre os meninos.
A insatisfação com o próprio corpo também cresceu: 27,2% dos entrevistados se disseram muito insatisfeitos ou insatisfeitos com a aparência física. Entre as meninas, esse percentual sobe para 36,1%, contra 18,2% dos meninos. Especialistas apontam as redes sociais como fator agravante, pela exposição constante a padrões estéticos inatingíveis em uma fase de formação da identidade.
A psicóloga clínica Kênia Ramos observa que o aumento da desesperança e dos comportamentos relacionados ao risco de suicídio está associado a uma combinação de fatores biopsicossociais sendo as meninas particularmente vulneráveis à comparação social, à busca por validação externa e à incidência mais alta de sintomas ansiosos e depressivos.
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