DF lidera ranking nacional de uso de cigarro eletrônico entre adolescentes, aponta pesquisa do IBGE

março 26, 2026

DF lidera ranking nacional de uso de cigarro eletrônico entre adolescentes, aponta pesquisa do IBGE

O Distrito Federal concentra o maior índice do país de adolescentes que já experimentaram cigarro eletrônico o vape ou pod. Segundo a 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE com dados de 2024, 43% dos estudantes brasilienses entre 13 e 17 anos já fizeram uso do dispositivo, número que supera todas as demais unidades da federação.

O levantamento ouviu alunos do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, tanto da rede pública quanto da privada, e revelou um retrato preocupante da saúde dos jovens brasileiros: mais exposição à violência sexual, gravidez na adolescência sem uso de preservativos, piora na saúde mental e crescente insatisfação com a própria imagem corporal.

DF no topo: meninas e escolas públicas concentram os maiores índices

No Distrito Federal, as meninas lideram a experimentação do cigarro eletrônico: 44,5% delas já usaram o produto, ante 43% dos meninos. O dado que mais chama atenção, porém, é a diferença entre as redes de ensino nas escolas públicas, o índice chega a 48,5%, quase 20 pontos percentuais acima das particulares, onde o percentual é de 29,7%.

No Brasil como um todo, quase 30% dos estudantes nessa faixa etária já experimentaram o produto proporção que praticamente dobrou entre 2019 (16,8%) e 2024 (29,6%). As regiões Centro-Oeste e Sul registraram os percentuais mais elevados do país, com 42% e 38,3%, respectivamente.

Para especialistas, o fenômeno tem raízes sociais claras. A psicóloga e gerente pedagógica do Colégio Católica Brasília, Nayara Varela, aponta que a popularização do vape, a pressão do grupo e a facilidade de acesso formam uma combinação perigosa para adolescentes em busca de pertencimento. A necessidade de ser aceito por determinados grupos pode induzir jovens ao consumo de drogas como estratégia de afirmação social, alerta a profissional.

Violência sexual: 1 em cada 10 jovens foi obrigado a ter relação sexual

A pesquisa também expôs dados alarmantes sobre violência sexual. Cerca de 8,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos relataram ter sido forçados a ter relações sexuais e 26,6% desses casos foram cometidos por outros membros da própria família.

Além disso, 18,5% dos entrevistados afirmaram ter sofrido algum tipo de abuso físico ou sexual sem consentimento, como toques, manipulações ou exposição forçada do corpo. Entre as meninas, esse percentual chegou a 26%, mais do que o dobro do registrado entre os meninos (10,9%). Em relação a 2019, houve crescimento de 3,8 pontos percentuais nos relatos de assédio sexual.

Gravidez na adolescência e queda no uso de preservativos

Apesar de uma ligeira redução na proporção de jovens sexualmente ativos de 35,9% em 2019 para 30,4% em 2024 , os dados sobre comportamento sexual preocupam. Mais de um terço dos estudantes que já tiveram relação sexual não usaram preservativo na primeira vez, e 33% recorreram à pílula do dia seguinte em algum momento.

O levantamento ainda identificou que 121 mil meninas entre 13 e 17 anos já engravidaram. Desse total, 98,7% estudavam em escolas da rede pública.

A pedagoga Juliene Braga, orientadora do Colégio Católica Brasília, reforça que a educação sexual precisa ser tratada como parte essencial do desenvolvimento humano e que o papel da família é insubstituível. Quando há abertura para o diálogo em casa, o adolescente se sente mais seguro para compartilhar dúvidas e situações delicadas, ressalta.

Saúde mental em crise: quase 1 em cada 5 jovens sente que a vida não vale a pena

O retrato da saúde mental dos jovens brasileiros também é preocupante. De acordo com a PeNSE, 18,5% dos adolescentes afirmaram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que a vida não vale a pena ser vivida. Entre as meninas, esse índice chega a 25% o dobro dos 12% registrados entre os meninos.

A insatisfação com o próprio corpo também cresceu: 27,2% dos entrevistados se disseram muito insatisfeitos ou insatisfeitos com a aparência física. Entre as meninas, esse percentual sobe para 36,1%, contra 18,2% dos meninos. Especialistas apontam as redes sociais como fator agravante, pela exposição constante a padrões estéticos inatingíveis em uma fase de formação da identidade.

A psicóloga clínica Kênia Ramos observa que o aumento da desesperança e dos comportamentos relacionados ao risco de suicídio está associado a uma combinação de fatores biopsicossociais sendo as meninas particularmente vulneráveis à comparação social, à busca por validação externa e à incidência mais alta de sintomas ansiosos e depressivos.