Campanha alerta para imunização contra o vírus da bronquiolite

julho 31, 2026
Profissional de saúde com luvas aplica vacina no braço de uma pessoa

Uma campanha nacional lançada nesta semana busca esclarecer pais e gestantes sobre as duas formas de proteção disponíveis na rede pública contra o vírus sincicial respiratório, o VSR, principal causa de internação de bebês por problema respiratório no inverno. A iniciativa, batizada de “Todos contra o VSR: Proteção desde o Início”, é conduzida pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

O vírus responde por 80% dos casos de bronquiolite e por até 60% das pneumonias em crianças menores de 2 anos, segundo dados apresentados pela campanha. Neste ano, o país registrou 21.398 casos de síndrome respiratória aguda grave e 246 mortes. Entre menores de 2 anos, foram 17.081 casos e 109 mortes. Mais da metade das internações se concentra nos dois primeiros meses de vida.

Vacina e anticorpo protegem públicos diferentes

A confusão mais comum, e que a campanha tenta desfazer, é tratar as duas estratégias como se fossem a mesma coisa. Elas não são, e o público de cada uma é distinto.

  • Vacina: aplicada na gestante a partir da 28ª semana de gestação. Os anticorpos produzidos pela mãe atravessam a placenta e chegam ao bebê, que nasce protegido desde a primeira semana de vida.
  • Anticorpo monoclonal: aplicado diretamente na criança. É indicado a prematuros nascidos com menos de 37 semanas, até os 6 meses de idade, e a crianças menores de 2 anos com comorbidades.

As duas alternativas fazem parte do Programa Nacional de Imunizações e são oferecidas sem custo nas unidades básicas de saúde. O anticorpo monoclonal não é vacina: ele entrega ao organismo a defesa pronta, com efeito imediato e duração limitada, o que explica a restrição a grupos de maior risco.

“A partir do nascimento, crianças menores de dois anos podem se beneficiar dos anticorpos monoclonais”, afirmou Isabella Ballalai, coordenadora da campanha e diretora da SBIm.

Por que o alerta chega agora

A circulação do VSR tem padrão sazonal e sobe no período frio e seco, exatamente a condição do inverno de Brasília. Os sintomas iniciais confundem com um resfriado comum: coriza, tosse e febre baixa. O quadro preocupa quando aparecem chiado no peito, respiração rápida, afundamento das costelas a cada inspiração, recusa alimentar e sonolência fora do normal. Nessas situações, a orientação é procurar atendimento sem esperar melhora espontânea.

A campanha reúne, além da SBIm, a Organização Pan-Americana da Saúde, o Unicef, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Sociedade Brasileira de Infectologia, o Conasems e a ONG Prematuridade.com.

Onde se informar no DF

Gestantes devem consultar a caderneta e perguntar sobre a vacina na consulta de pré-natal, já que a janela recomendada começa na 28ª semana. Para os bebês, a indicação do anticorpo monoclonal é feita pela equipe que acompanha a criança, com base na idade gestacional ao nascer e no histórico clínico. As unidades básicas de saúde do DF concentram a aplicação e podem ser localizadas pela Central 160.

O VSR também atinge adultos com mais idade, público que ganhou proteção específica no calendário local. Leia mais em CLDF aprova vacina de alta dose e imunização contra o VSR para idosos no DF.

Não há, até o momento, alteração no calendário nacional de imunização para os dois produtos. A recomendação segue a que está publicada pelo Ministério da Saúde.

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