Aposentada da CLDF perde R$ 1 milhão no golpe da falsa conta segura

agosto 4, 2026
Close de uma mao segurando um telefone celular, em ambiente interno com fundo claro e desfocado

Uma aposentada da Câmara Legislativa do Distrito Federal perdeu R$ 1 milhão em um golpe aplicado por criminosos que se passaram por servidores do Banco Central e por policiais federais. A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta terça-feira (4/8) a operação que desarticulou o grupo.

A investigação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte. Segundo a PCDF, as equipes cumpriram cinco mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão no Distrito Federal, no Paraná, em Mato Grosso e no Rio de Janeiro. Os alvos são suspeitos de integrar uma estrutura especializada em fraudes eletrônicas contra vítimas de alto poder aquisitivo.

Como o golpe foi aplicado

O primeiro contato veio por telefone. Um integrante do grupo se apresentou como funcionário de uma concessionária de energia elétrica e informou sobre um suposto ressarcimento financeiro a que a aposentada teria direito. A conversa serviu para colher dados e abrir caminho para a etapa seguinte.

Na sequência, outras pessoas ligaram se identificando falsamente como servidores do Banco Central e policiais federais. Elas afirmaram que a conta bancária da vítima estava sendo usada por criminosos e que o patrimônio dela corria risco imediato. Sob o argumento de proteger o dinheiro, os golpistas conduziram a aposentada a uma sequência de ações que entregou o controle das contas a eles.

  • Fazer transferências sucessivas para contas indicadas pelos criminosos, apresentadas como “contas seguras” do próprio Banco Central.
  • Compartilhar a tela do celular durante as ligações, o que expôs senhas e saldos.
  • Alterar senhas dos aplicativos bancários seguindo orientação dos falsos agentes.
  • Autorizar novos dispositivos no aplicativo do banco, o que deu aos golpistas acesso direto às contas.

O prejuízo chegou a R$ 1 milhão. A modalidade é conhecida como golpe da falsa central de segurança ou da conta segura, e se apoia na pressão psicológica: a vítima é levada a acreditar que age rápido para salvar o próprio dinheiro.

O que órgãos públicos nunca fazem por telefone

O Banco Central não liga para cidadãos pedindo transferência de dinheiro, não solicita senha, não pede instalação de aplicativo e não mantém “conta segura” ou “conta espelho” para guardar recursos de correntistas. Nenhum órgão de segurança pública faz esse tipo de pedido.

A regra vale para qualquer contato: banco, polícia, Receita Federal ou concessionária de serviço público não pedem senha, código de aplicativo, compartilhamento de tela nem transferência para conta de terceiro. Pedidos assim, mesmo com o nome correto da vítima e dados pessoais na mão do interlocutor, indicam fraude.

O que fazer se você for abordado

Diante de uma ligação nesses moldes, o procedimento é encerrar a chamada e refazer o contato pelos canais oficiais, procurados por conta própria, e não pelo número que aparece no visor. O identificador de chamadas pode ser falsificado.

  1. Desligue e ligue de volta para o número oficial do seu banco, impresso no cartão ou no aplicativo.
  2. Não compartilhe a tela do celular com desconhecidos em nenhuma hipótese.
  3. Se já houve transferência, procure o banco imediatamente e peça o Mecanismo Especial de Devolução, que pode reaver valores enviados por Pix em casos de fraude.
  4. Registre a ocorrência na Delegacia Eletrônica da PCDF ou na delegacia mais próxima, com extratos e o histórico das ligações.
  5. Em caso de emergência, acione o 190.

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Os suspeitos presos temporariamente ficam à disposição da Justiça enquanto a investigação apura o alcance da quadrilha e a existência de outras vítimas. Eles respondem no inquérito e são tratados como suspeitos até decisão judicial definitiva. A PCDF pede que quem tenha passado por abordagem semelhante registre ocorrência, o que ajuda a mapear a atuação do grupo.

Perguntas frequentes

Como funciona o golpe da falsa conta segura?

Criminosos se passam por funcionários de concessionária, do Banco Central ou da Polícia Federal e afirmam que a conta da vítima está sendo usada por bandidos. Sob o argumento de proteger o dinheiro, induzem transferências para contas controladas por eles.

O Banco Central liga pedindo transferência?

Não. O Banco Central não telefona para cidadãos pedindo transferência, senha ou instalação de aplicativo, e não existe ‘conta segura’ para guardar dinheiro de correntista.

O que fazer se eu já tiver transferido o dinheiro?

Procure o banco imediatamente e peça o Mecanismo Especial de Devolução, previsto para casos de fraude em Pix, e registre ocorrência na Delegacia Eletrônica da PCDF.

Quantas pessoas foram presas?

A PCDF cumpriu cinco mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão no DF, no Paraná, em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.

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