Andy Burnham assumiu nesta segunda-feira (20) o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, após audiência com o rei Charles III no Palácio de Buckingham, em Londres. O ex-prefeito da Grande Manchester, de 56 anos, substitui Keir Starmer, que renunciou depois de dois anos no poder.
Starmer anunciou a decisão de deixar o governo em 22 de junho, pressionado pela queda de popularidade e por seguidas crises internas no Partido Trabalhista. Ele permaneceu no cargo até esta segunda-feira, quando apresentou formalmente a renúncia ao rei. Na sequência, Charles III convidou Burnham a formar um novo governo, seguindo o rito constitucional britânico.
Burnham se torna o 59º primeiro-ministro do Reino Unido e o sétimo em cerca de uma década, um retrato da instabilidade política que o país atravessa desde a votação do Brexit, em 2016. No período, passaram por Downing Street David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e o próprio Starmer, que havia chegado ao poder em julho de 2024 com ampla maioria parlamentar.
A cerimônia desta segunda segue a tradição britânica conhecida como “beijar as mãos”: o encontro com o monarca é, em grande parte, simbólico, e formaliza o princípio de que os governos do Reino Unido são nomeados pela Coroa. Na prática, o poder já estava garantido desde que Burnham foi confirmado líder do partido majoritário na Câmara dos Comuns.
Da prefeitura de Manchester a Downing Street em dois meses
A ascensão de Burnham foi rápida. Como não era deputado, ele precisou primeiro conquistar um assento no Parlamento: venceu em 18 de junho a eleição suplementar no distrito de Makerfield, aberta depois que o deputado Josh Simons renunciou ao mandato, em maio, justamente para permitir a candidatura do então prefeito.
Na disputa pela liderança do Partido Trabalhista, Burnham recebeu o apoio de 379 dos 403 deputados da legenda e acabou confirmado sem adversários, o que dispensou os tradicionais debates internos entre filiados.
Ao ser confirmado líder trabalhista, Burnham prometeu “restaurar a esperança” dos britânicos, segundo a emissora pública americana PBS.
Veterano da política britânica, o novo premiê foi ministro da Saúde e da Cultura nos governos trabalhistas anteriores a 2010 e comandava a prefeitura da Grande Manchester desde 2017, cargo para o qual foi reeleito duas vezes. Foi nessa função que construiu a imagem de gestor próximo das regiões fora de Londres, defensor de transporte público mais barato e crítico da concentração de decisões na capital.
Antes de chegar à prefeitura, Burnham disputou duas vezes a liderança do Partido Trabalhista, em 2010 e em 2015, e perdeu as duas. A vitória sem adversários agora, uma década depois, marca a reviravolta de uma carreira que parecia ter migrado em definitivo para a política regional.
Custo de vida no topo das prioridades
No primeiro discurso como premiê, previsto para a porta do número 10 de Downing Street, Burnham deve apresentar três eixos de governo:
- aliviar a crise do custo de vida, principal queixa dos eleitores britânicos;
- retomar o crescimento econômico do país;
- transferir mais poder de Londres para líderes regionais, agenda que defendeu como prefeito.
A chamada devolução de poderes é a marca registrada do novo premiê. A ideia é dar a prefeitos metropolitanos e governos regionais mais controle sobre orçamento, transporte e habitação, no modelo que o próprio Burnham operou na Grande Manchester. A aposta é que a descentralização ajude a destravar o crescimento fora do eixo londrino, onde a estagnação econômica alimentou o desgaste dos últimos governos.
Desafios imediatos do novo governo
A lua de mel deve ser curta. Burnham ainda precisa anunciar a composição do gabinete e detalhar como pretende financiar as promessas econômicas, pontos sobre os quais evitou se comprometer durante a transição. A imprensa britânica também cobra definições sobre imigração e sobre a relação do novo governo com a União Europeia.
No cenário externo, o premiê herda um tabuleiro tenso, com a escalada militar no Oriente Médio pressionando os preços de energia e testando as alianças do Reino Unido. O tema vem sendo acompanhado pelo SouBrasília na cobertura da segunda onda de ataques dos Estados Unidos ao Irã na região de Ormuz.
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