O Ministério da Educação divulgou nesta quarta-feira (5) os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, e o Distrito Federal foi a única rede do país a registrar queda no ensino médio na comparação com a edição de 2023. No mesmo levantamento, o Brasil alcançou os maiores valores da série histórica iniciada em 2005 nas três etapas avaliadas.
O Ideb é calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a cada dois anos e combina dois fatores: o desempenho dos estudantes nas provas de língua portuguesa e matemática do Saeb e o fluxo escolar, ou seja, quantos alunos avançam de ano sem reprovar ou abandonar a escola.
Como ficou o Brasil
Segundo o Inep, os índices nacionais subiram em todas as etapas entre 2023 e 2025:
- Anos iniciais do fundamental (1º ao 5º ano): de 6,0 para 6,3 no conjunto das redes; de 5,7 para 6,1 na rede pública;
- Anos finais do fundamental (6º ao 9º ano): de 5,0 para 5,3 no conjunto; de 4,7 para 5,0 na rede pública;
- Ensino médio: de 4,3 para 4,5 no conjunto; de 4,1 para 4,3 na rede pública.
No ensino médio, 23 unidades da federação subiram o indicador, três mantiveram o resultado de 2023 e uma caiu. A rede estadual do Paraná tem o maior Ideb de 2025 na etapa, com 5,1, seguida por Goiás, Espírito Santo e Piauí, todas com 4,9.
O avanço também aparece na base do ranking. Em 2005, cerca de 4.110 municípios brasileiros ficavam abaixo de 4,9 no índice dos anos iniciais. Em 2023 eram 1.097, e agora são 442.
O que o resultado mostra sobre o DF
No Distrito Federal, 70 escolas de ensino médio e 156 de anos finais do ensino fundamental tiveram índice calculado nesta edição. A rede foi a única do país a recuar na etapa do ensino médio, segundo levantamento publicado pelo Jornal de Brasília, e nenhuma escola do DF apareceu entre as 50 melhores do Brasil em qualquer das duas etapas, conforme apurou o Correio Braziliense.
O recuo tem peso porque o ensino médio é a etapa em que o DF costumava figurar acima da média nacional, e é também a mais sensível ao abandono escolar, já que concentra estudantes que entram no mercado de trabalho antes de concluir os estudos.
A reportagem não localizou manifestação da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal sobre o resultado até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para posicionamento.
As escolas com as melhores notas no DF
Mesmo com a queda da média, parte da rede local manteve desempenho alto no ensino médio. As dez primeiras colocadas no DF, de acordo com os dados compilados pelo Correio Braziliense, são:
- Colégio Militar de Brasília (rede federal), 5,9;
- Colégio Militar Dom Pedro II (rede distrital), 5,9;
- CEMI EP do Gama, 5,7;
- CED 08 do Gama, 5,3;
- CED Taquara, em Planaltina, 5,1;
- Instituto Federal de Brasília, campus Riacho Fundo, 4,8;
- Instituto Federal de Brasília, campus Plano Piloto, 4,8;
- CED do Lago, no Lago Sul, 4,6;
- CEM 01 do Guará, 4,5;
- CED 04 de Brazlândia, 4,5.
A lista mostra concentração de bom desempenho em escolas de gestão militar e nos campi do IFB, além de unidades do Gama, que aparecem duas vezes entre as quatro primeiras.
Por que o indicador importa para as famílias
O Ideb funciona como referência para a escolha de escola e para a cobrança de melhoria junto à rede. A nota vai de 0 a 10 e permite comparar unidades da mesma etapa, mas precisa ser lida com contexto: escolas com processo seletivo de entrada, como as militares e os institutos federais, partem de um público diferente do de uma unidade de bairro que recebe todos os matriculados.
Os resultados por escola ficam disponíveis nas páginas do Inep e permitem consultar a nota individual de cada unidade, o desempenho nas provas e o indicador de fluxo.
Para quem acompanha a pauta de infraestrutura das escolas públicas, o Congresso analisa proposta que retira do teto de despesas os gastos com infraestrutura escolar.
A próxima edição do Ideb tem os dados coletados em 2027, com divulgação prevista para o ano seguinte.






