Proibido levar bandeira, faixa e bateria: convenção de Arruda começa hoje sob clima de atrito no CICB

agosto 1, 2026
José Roberto Arruda, Gim Argello e Paulo Octávio, nomes centrais da chapa do PSD e do Avante no DF

Quem for à convenção conjunta do PSD e do Avante neste sábado (1º/8), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), vai encontrar uma regra que mudou em cima da hora — e que contrariou parte dos apoiadores.

De acordo com o portal E-Destaque Brasília, os participantes foram inicialmente liberados para levar ao ato o repertório clássico de convenção eleitoral: faixas, bandeiras, baterias, vuvuzelas, buzinas e aparelhos sonoros. A orientação foi revista depois, e o material passou a ser barrado — segundo o mesmo veículo, por determinação da equipe de segurança do presidenciável Ronaldo Caiado.

O que está terminantemente proibido levar

A lista de vetos:

  • Bandeiras com haste — de qualquer natureza, sem exceção
  • Faixas e banners
  • Instrumentos musicais, incluindo baterias e percussão
  • Vuvuzelas e buzinas
  • Aparelhos sonoros em geral

Na prática, sobra pouco do que costuma dar cara a um ato político. A mudança pegou de surpresa apoiadores que já haviam se organizado, produzido material e combinado a ida em grupo.

Fica a pergunta que circula entre os organizados: como fazer um ato de mobilização sem os símbolos que mobilizam?

Quem for, o mais seguro é confirmar a orientação vigente com a coordenação da própria legenda antes de sair de casa — a regra já mudou uma vez.

Uma pré-candidata a menos, dias antes da convenção

O Avante chega ao CICB com uma baixa pública. A empresária Cristiane Elizabete Brasil Espindola, a Cris Brasil, desistiu da pré-candidatura a deputada distrital e atribuiu a saída ao descumprimento de compromissos pela direção regional do partido, hoje presidida pelo ex-senador Gim Argello, que assumiu o diretório em novembro de 2025.

Pelo relato dela, em reunião com Gim Argello e o advogado da legenda, foram prometidos R$ 30 mil mensais durante a pré-campanha e R$ 130 mil mensais na campanha. Encerrado o prazo de filiação, em 4 de abril, ela afirma que passou a não obter mais resposta. Disse não ter encontrado no Avante o apoio necessário para seguir.

O nome do Senado, desmentido pelo próprio partido

No dia 29 de julho, durante almoço com prefeitos do Entorno, Arruda e Caiado anunciaram o empresário Paulo Octávio como candidato ao Senado.

Paulo Octávio negou. Ao Correio Braziliense, afirmou que não havia confirmado a pré-candidatura e que o anúncio foi uma forma de pressioná-lo a entrar na disputa. Não é aliado qualquer: ele preside o PSD no Distrito Federal e foi vice-governador na gestão do próprio Arruda.

Quem contestou publicamente o anúncio da chapa foi o dirigente máximo do partido anfitrião.

Segundo o E-Destaque Brasília, dirigentes do PSD — entre eles Paulo Octávio e Lucas Kontoyanis — souberam pela imprensa de movimentos da composição, e não por articulação interna do grupo.

A vaga de vice, trocada no meio do caminho

Ainda conforme o E-Destaque, circulou de forma extraoficial o nome de Jorginho Argello, filho de Gim, como possível vice de Arruda — informação que teria corrido sem construção prévia com o PSD e gerado mal-estar. Arruda teria desmentido.

O que veio depois está documentado: o ex-governador convidou formalmente o Podemos a indicar Luiz França, secretário-geral nacional do partido, para a vaga — movimento que puxaria a legenda para longe do grupo da vice-governadora Celina Leão. Seguem cotados também Gim Argello, Jorge Argello e o ex-deputado Ronaldo Fonseca.

Questionado sobre a escolha, Arruda evitou antecipar e disse que a surpresa também faz parte da política.

O que a convenção decide

  • A candidatura de Arruda ao Governo do Distrito Federal
  • A coligação entre PSD e Avante na disputa majoritária
  • As chapas proporcionais para a Câmara Legislativa e a Câmara dos Deputados
  • A indicação de vice e Senado, se o acordo estiver fechado até lá

A pendência que nenhuma articulação resolve

Acima de tudo isso está uma questão que não se costura em convenção: Arruda continua inelegível.

Em decisão publicada em 20 de fevereiro deste ano, o TJDFT negou agravo interno do ex-governador e manteve sua condenação por improbidade administrativa: suspensão dos direitos políticos por 12 anos, R$ 1 milhão em dano moral coletivo, mais de R$ 700 mil em multa cível atualizada e R$ 700 mil em reparação de dano.

“As provas dos autos são claras a respeito da existência do esquema de corrupção instalado no Governo”, registra o acórdão do TJDFT.

A tese da defesa é que a Lei Complementar 219/2025 antecipou o marco inicial da contagem: o prazo de 12 anos correria desde a primeira condenação colegiada, em 2014, e se encerraria agora.

Só que a lei está sob julgamento no STF, em ação da Rede Sustentabilidade. A análise foi suspensa em 28 de maio por pedido de vista de Gilmar Mendes — e o placar até ali era de 2 a 0 pela inconstitucionalidade, com votos da relatora Cármen Lúcia e de Luiz Fux. O voto de Gilmar é esperado até 26 de agosto.


Serviço O quê: Convenção conjunta PSD e Avante Quando: Sábado, 1º de agosto, às 14h Onde: Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) — Asa Sul Tema: “Resgate do DF” Proibido levar: bandeiras com haste, faixas, banners, instrumentos, vuvuzelas, buzinas e aparelhos sonoros

Com informações do E-Destaque Brasília, da coluna Grande Angular (Metrópoles), do Correio Braziliense, do Jornal Opção e do Portal F5 Política.

Este espaço está aberto a manifestação do PSD-DF, do Avante-DF e das demais partes citadas, e será atualizado em caso de resposta.

Foto de capa: reprodução.

Faz parte da rede de portais NYX · Distrito News — noticias do Distrito Federal