A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (31) a Operação Blackwood, que investiga uma empresa aberta em nome de laranja para dar aparência legal à venda de madeira de origem irregular e sonegar mais de R$ 5,8 milhões em tributos no DF.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Vicente Pires, no Distrito Federal, e na Cidade Ocidental, no Entorno goiano. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 5,8 milhões em bens e valores dos investigados, quantia equivalente ao prejuízo estimado aos cofres públicos.
A apuração é da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária, ligada à Divisão de Repressão a Crimes contra a Ordem Tributária e Econômica. Segundo a PCDF, os verdadeiros donos da empresa investigada integram uma mesma família, que também é proprietária de madeireiras que funcionam regularmente na região.
Como funcionava o esquema
A empresa investigada existia apenas no papel. Registrada no ramo de comércio de madeira em nome de um laranja, ela servia para emitir notas fiscais frias que davam aparência de legalidade a carregamentos de madeira de procedência irregular. Com esses documentos em mãos, o grupo ainda se apropriava de créditos tributários indevidos, reduzindo o imposto a pagar nas empresas que operavam de verdade.
O modelo é conhecido dos fiscais e se repete em setores que dependem de comprovação de origem, como madeira, sucata e combustíveis. A nota fria cumpre duas funções ao mesmo tempo: esconde a origem do produto e transfere um crédito de imposto que nunca foi recolhido.
- Operação: Blackwood, deflagrada em 31 de julho de 2026
- Unidade responsável: Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária
- Mandados: três de busca e apreensão, em Vicente Pires (DF) e Cidade Ocidental (GO)
- Valor bloqueado: R$ 5,8 milhões em bens e valores
- Crimes apurados: sonegação fiscal, associação criminosa e falsidade ideológica
Penas somadas chegam a 13 anos
Os investigados já haviam sido autuados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis por infrações ligadas ao comércio ilegal de madeira. Agora respondem também na esfera criminal. Somadas, as penas previstas para sonegação fiscal, associação criminosa e falsidade ideológica podem chegar a 13 anos de prisão.
A investigação corre em segredo de justiça e o material apreendido nos três endereços será periciado. Documentos contábeis, computadores e celulares costumam indicar quem assinava as notas e para onde ia o dinheiro, informação que orienta o pedido de indiciamento ao fim do inquérito.
O peso da sonegação na arrecadação do DF
Fraudes desse tipo atingem diretamente o ICMS, principal tributo da receita própria do Distrito Federal e a fonte que banca saúde, educação e segurança na capital. Em julho, a PCDF já havia deflagrado a Operação Ornamentum, que apurou um esquema de sonegação estimado em R$ 15 milhões no DF, no setor de pedras ornamentais.
A soma dos dois casos passa de R$ 20 milhões em tributos que deixaram de entrar em menos de um mês. O reforço da fiscalização aparece no desempenho recente da arrecadação local, que vem sendo puxada pelo ICMS, como mostram os números de gestão fiscal do GDF.
Quem desconfia de nota fiscal irregular pode denunciar à Ouvidoria da Secretaria de Economia do DF ou pelo 197, telefone da Polícia Civil, com garantia de anonimato. Empresas que compram madeira devem exigir o Documento de Origem Florestal, emitido pelo Ibama, e conferir a validade do documento antes de fechar negócio.
Perguntas frequentes
O que é uma empresa de fachada usada em sonegação?
É uma empresa registrada em nome de um laranja, sem atividade real, criada para emitir notas fiscais que dão aparência legal a mercadorias de origem irregular e gerar créditos de imposto indevidos para outras companhias do grupo.
Como saber se a madeira comprada tem origem legal?
O comprador deve exigir o Documento de Origem Florestal, emitido pelo Ibama, e conferir a autenticidade no sistema do órgão. Sem esse documento, a carga é considerada de origem irregular.








