Projeto amplia acessibilidade em prédios públicos federais

julho 30, 2026
Símbolo internacional de acessibilidade pintado em amarelo sobre asfalto

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto que obriga edifícios públicos federais a instalar sistemas de sinalização digital para orientar pessoas com deficiência e idosos dentro dos prédios. O PL 1233/26, do deputado Pedro Aihara (PP-MG), altera o Estatuto da Pessoa com Deficiência e foi apresentado à Agência Câmara em 21 de julho.

A proposta exige tecnologia de sensores de proximidade, radiofrequência ou similar, integrada a dispositivos móveis, capaz de informar a localização em tempo real, oferecer audiodescrição e indicar rotas acessíveis. O texto também prevê recursos de realidade aumentada, padrões de interoperabilidade entre sistemas e conformidade com a legislação de proteção de dados.

Prioridade para saúde, INSS e assistência jurídica

A implantação começaria pelos espaços de maior circulação e pelos locais que prestam serviços de saúde, previdência e assistência jurídica. São justamente as unidades em que o público idoso e com deficiência aparece em maior proporção e onde a dificuldade de localizar um guichê ou uma sala se traduz em espera adicional.

O que o projeto quer resolver não é a entrada no prédio, e sim o deslocamento dentro dele:

  • Sinalização digital com sensor de proximidade ou radiofrequência
  • Integração com celular para localização em tempo real
  • Audiodescrição do ambiente e das rotas
  • Indicação de percursos acessíveis até o serviço procurado
  • Recursos de realidade aumentada e interoperabilidade entre sistemas

Argumento do autor

Aihara sustenta que a legislação brasileira já trata da acessibilidade arquitetônica, mas que o acesso nos prédios públicos do país continua concentrado em barreiras físicas como rampas e elevadores. Sem sinalização dinâmica, argumenta, pessoas com deficiência visual e idosos dependem de terceiros para achar uma sala de audiência ou um balcão de atendimento.

“O Brasil deixará de apenas permitir a entrada de pessoas com deficiência e idosas para, de fato, permitir a sua autonomia”, afirmou o deputado.

Como o texto tramita

O projeto segue em caráter conclusivo pelas comissões de Desenvolvimento Urbano; de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O caráter conclusivo dispensa a votação em Plenário caso não haja recurso, mas o texto ainda precisa da aprovação da Câmara e do Senado para virar lei.

A tramitação por cinco colegiados indica caminho longo. A comissão de Finanças e Tributação costuma ser a etapa mais sensível em propostas que geram despesa para a administração pública, porque analisa a adequação orçamentária da medida antes de a matéria seguir para o exame jurídico na CCJ.

O que muda para quem depende do serviço

Nos prédios federais em Brasília, a regra alcançaria ministérios, agências reguladoras, unidades do INSS e órgãos do Judiciário federal, além de tribunais e autarquias com atendimento ao público. Quem hoje precisa perguntar o caminho a um servidor teria a informação no próprio celular, com a rota acessível calculada até o destino.

Enquanto o projeto tramita, outras medidas sobre o tema avançam no Congresso. Veja também o projeto que cria selo de acessibilidade para autistas em aeroportos, aprovado em comissão neste ano.

O texto ainda não tem relator designado na primeira comissão. O andamento pode ser acompanhado pelo número da proposição no portal da Câmara.

Perguntas frequentes

O que é o PL 1233/26?

É o projeto do deputado Pedro Aihara (PP-MG) que altera o Estatuto da Pessoa com Deficiência para obrigar edifícios públicos federais a ter sinalização digital com sensores, audiodescrição e rotas acessíveis.

Quais prédios seriam atingidos primeiro?

A implantação prioriza áreas de grande circulação e locais que prestam serviços de saúde, previdência e assistência jurídica.

O projeto já virou lei?

Não. Ele tramita em caráter conclusivo por cinco comissões da Câmara e depois precisa passar pelo Senado.

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