Isenção de IR para policiais avança em comissão da Câmara

julho 16, 2026
Deputado fala ao microfone durante reuniao de comissao na Camara dos Deputados

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (15) dois projetos que isentam do Imposto de Renda a remuneração de policiais e de outros profissionais da segurança pública. As propostas ainda passam por mais duas comissões antes de seguir ao Senado.

Os textos aprovados são o PL 1229/2026, do deputado Pedro Aihara (PP-MG), e o PL 5814/2025, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS). Nos dois casos, o benefício alcança apenas a renda recebida pelo exercício da função. Salário de outra atividade, aluguel e investimento continuam tributados normalmente.

Quem entra na lista da isenção

O relator do PL 1229/2026, deputado Capitão Alden (PL-BA), ampliou a proposta original para cobrir o conjunto das carreiras policiais. Segundo a Agência Câmara, ficam isentos:

  • policiais federais;
  • policiais civis;
  • policiais militares;
  • policiais legislativos;
  • peritos criminais;
  • guardas municipais;
  • agentes socioeducativos;
  • agentes de trânsito.

O PL 1229/2026 estende a isenção a aposentados e pensionistas dessas categorias. Bombeiros militares não constam da lista dos textos aprovados na comissão.

“A extensão é necessária sob a ótica da isonomia e da realidade factual da segurança pública nacional. Isolar o benefício para apenas algumas corporações geraria um sentimento de preterição em categorias igualmente expostas ao perigo”, afirmou Capitão Alden ao defender o texto.

Quem paga a conta

A renúncia fiscal tem compensação prevista. O PL 1229/2026 aponta recursos da arrecadação do imposto sobre apostas de quota fixa, as chamadas bets. No PL 5814/2025, o relator André Fernandes (PL-CE) sustenta que o valor que deixar de entrar na Receita volta em consumo das famílias e gera arrecadação indireta.

Desde janeiro, quem ganha até R$ 5.000 por mês já não paga Imposto de Renda, regra válida para todos os trabalhadores. Os projetos vão além para as carreiras policiais: zeram a retenção sobre o salário da função independentemente do valor. Hoje, a alíquota do IR chega a 27,5% na faixa mais alta da tabela, descontada na fonte todo mês.

Efeito direto em Brasília

Poucas cidades concentram tantos beneficiados em potencial quanto o Distrito Federal. A regra alcançaria os efetivos da Polícia Militar e da Polícia Civil do DF, os policiais federais lotados na sede da corporação, os policiais legislativos da Câmara e do Senado, os peritos criminais, os agentes de trânsito do Detran-DF e os agentes socioeducativos do sistema local.

Na prática, o contracheque dessas carreiras deixaria de ter o desconto mensal do IR sobre o salário do cargo. A obrigação de entregar a declaração anual à Receita Federal continua.

Próximos passos

As duas propostas tramitam em caráter conclusivo: se aprovadas nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) sem recurso ao Plenário, seguem direto para o Senado, sem votação pelos 513 deputados. Não há data marcada para as próximas análises.

Enquanto a mudança não vira lei, o calendário normal da Receita segue valendo. O 3º lote da restituição do Imposto de Renda 2026 será pago em 31 de julho.

Perguntas rápidas

A isenção já está valendo?

Não. Os projetos passaram pela primeira de três comissões da Câmara e ainda precisam do aval do Senado antes de virar lei.

Bombeiros militares foram incluídos?

Não. A lista aprovada cita as polícias, os peritos criminais, as guardas municipais e os agentes de trânsito e socioeducativos, sem citar os bombeiros.

A isenção vale para toda a renda do policial?

Não. Vale apenas para a remuneração do cargo. Outras fontes de renda continuam tributadas e devem ser declaradas.

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