A economia brasileira mostrou fôlego menor no início do segundo trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, cresceu 0,5% em abril na comparação com março, no dado já ajustado pela sazonalidade.
O número ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,6% segundo levantamento da Reuters. O resultado de abril também veio depois de um mês fraco: o próprio Banco Central revisou o desempenho de março, que passou de uma queda inicial de 0,7% para um recuo de 0,2%.
Um retrato antecipado da atividade
O IBC-Br funciona como um mapa prévio do que o PIB oficial deve mostrar mais adiante. O índice reúne indicadores que representam a produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do volume de impostos ligados à produção. Por isso, é acompanhado de perto por quem tenta antecipar a tendência da economia.
- Alta de 0,5% em abril ante março, no dado dessazonalizado
- Março revisado de queda de 0,7% para recuo de 0,2%
- Projeção do mercado apontava avanço de 0,6% no mês
- O índice não substitui o PIB, mas serve de termômetro para o trimestre
O ritmo mais lento aparece num momento em que a Selic alta segura o crédito e o consumo. Com juro de dois dígitos, empresas adiam investimento e famílias pisam no freio, o que aparece nos indicadores de atividade e ajuda a explicar o passo curto de abril.
“A prévia do PIB confirma uma economia que ainda cresce, mas desacelera, num quadro de juro alto que cobra o seu preço sobre consumo e investimento”, avalia a leitura padrão do indicador entre economistas.
Vale lembrar que o IBC-Br costuma divergir do PIB oficial calculado pelo IBGE, já que usa metodologia e composição diferentes. Ainda assim, a direção captada pelo índice do Banco Central é um sinal relevante sobre o comportamento da atividade no período.
O mercado agora observa se a desaceleração vai ganhar corpo nos meses seguintes ou se abril foi apenas um respiro de um ano que começou aquecido. A resposta ajuda a calibrar as projeções sobre o rumo da Selic no segundo semestre.
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