A inadimplência do crédito no país voltou a subir em maio e alcançou 4,7%, o maior patamar já registrado desde o começo da série histórica do Banco Central, em março de 2011. Os dados foram divulgados nesta quarta, dia 1º de julho, dentro das Estatísticas Monetárias e de Crédito. Em abril, a taxa média de atraso superior a 90 dias estava em 4,6%.
O resultado confirma uma piora que se arrasta há meses e reacende o alerta sobre a capacidade de pagamento de quem tomou empréstimo com juro alto. A Selic segue em 14,25% ao ano, o que encarece o custo do dinheiro para pessoas físicas e empresas.
O ponto mais delicado está no bolso das famílias. A inadimplência nesse grupo chegou a 5,6%, também recorde. Entre as empresas, o índice ficou em 3,24%, o maior desde novembro de 2017. A leitura mostra que o aperto não está concentrado em um único segmento.
O que os números revelam
O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional avançou e fechou maio em R$ 7,3 trilhões, com expansão de 9,5% em doze meses. Do total, o crédito às famílias somou R$ 4,595 trilhões, e o direcionado às empresas ficou em R$ 2,705 trilhões.
- Concessões de novos empréstimos e financiamentos: R$ 694,2 bilhões no mês, alta de 0,7% no dado dessazonalizado
- Taxa média de juros das operações: 33,4% ao ano, ligeira queda ante os 33,5% de abril
- Juros para famílias: 38,9% ao ano; para empresas, 21,6% ao ano
- Rotativo do cartão de crédito: 439,9% ao ano, contra 432% no mês anterior
O rotativo do cartão segue como a modalidade mais cara do mercado e um dos principais gatilhos do endividamento que não fecha a conta no fim do mês.
“Quando a inadimplência das famílias renova recorde com a Selic ainda em dois dígitos altos, o recado é claro: o orçamento doméstico está no limite”, resume a leitura corrente entre analistas que acompanham o boletim mensal do Banco Central.
A alta da inadimplência tende a deixar os bancos mais seletivos na hora de emprestar. Com risco maior, as instituições cobram spread mais gordo e apertam a análise de crédito, o que pode frear a concessão nos próximos meses e afetar consumo e investimento.
Para o consumidor, a orientação prática é evitar o rotativo, priorizar a quitação das dívidas mais caras e buscar renegociação antes de o atraso passar dos 90 dias, faixa em que o nome vai para o vermelho na estatística oficial.
O Banco Central volta a divulgar os dados de crédito no início de agosto, quando o mercado vai medir se maio foi pico ou apenas mais um degrau na escalada da inadimplência.
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