A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, esteve no Supremo Tribunal Federal na tarde de 12 de maio de 2026, em reunião com o ministro Cristiano Zanin. O encontro tratou da Ação Direta de Inconstitucionalidade 7881, da Ficha Limpa, e da ação que envolve o BRB.
A audiência ocorreu no gabinete do ministro e durou pouco mais de uma hora, conforme registro divulgado pela Casa Civil do DF. Celina chegou ao tribunal acompanhada de assessores jurídicos, em movimento que reforça a articulação do Executivo distrital junto à Corte em dois processos de alto impacto político e econômico.
O primeiro tema da pauta foi a ADI 7881, relatada pela ministra Cármen Lúcia e marcada para julgamento virtual entre 22 e 29 de maio. A ação questiona a Lei Complementar 219/2025, que flexibilizou pontos da Lei da Ficha Limpa. A decisão final pode redefinir prazos de inelegibilidade às vésperas do calendário eleitoral.
BRB também esteve na conversa
O segundo bloco da reunião envolveu a ação que discute a utilização de imóveis do Distrito Federal como garantia de aportes ao BRB. O julgamento começou em 8 de maio, em ambiente virtual, e foi deslocado para o plenário físico depois de o ministro Flávio Dino pedir destaque. Não há data marcada para a retomada.
Celina e Zanin trataram, segundo a Casa Civil, do impacto da disputa sobre a saúde financeira do banco estatal e sobre o cronograma de capitalização desenhado pelo GDF. O Executivo distrital sustenta que a aprovação do plano é condição para enfrentar a exposição do BRB a cerca de R$ 12,2 bilhões em ativos adquiridos do Banco Master.
Entre os pontos discutidos no encontro:
- o calendário do julgamento virtual da ADI 7881 e os efeitos da decisão sobre as eleições de 2026;
- os contornos jurídicos do plano de aportes ao BRB, com base na lei alterada em 12 de maio;
- os impactos da decisão monocrática do ministro Edson Fachin, que liberou o uso de bens públicos pelo GDF para cobrir o rombo do banco;
- os próximos passos da Procuradoria-Geral do DF nas duas frentes.
Movimentação no Supremo
A passagem de Celina pelo Supremo se soma a uma série de encontros que governadores e procuradores estaduais costumam fazer com ministros em fases pré-julgamento. O objetivo, segundo magistrados ouvidos reservadamente, é apresentar elementos técnicos e mapear preocupações antes de o caso entrar em pauta.
No caso do BRB, o GDF sustenta urgência. A demora no julgamento, segundo a Casa Civil, atrasa decisões de capitalização e pode encarecer operações futuras. No caso da Ficha Limpa, a leitura é de que o tema demanda definição rápida para evitar incerteza jurídica nas eleições municipais e estaduais.
“Tratamos de temas que afetam o Distrito Federal e o país. Reforço a importância do diálogo institucional e o respeito ao papel do Supremo nessas decisões”, disse Celina Leão, em nota divulgada após o encontro.
Próximos passos e desdobramentos
O ministro Cristiano Zanin não se manifestou publicamente sobre o conteúdo do encontro. Auxiliares do gabinete confirmaram apenas a realização da reunião e a presença dos assessores jurídicos do GDF. Pela praxe do tribunal, ministros relatores ou que devam atuar como vogais não comentam preliminarmente o mérito de processos em curso.
Para o GDF, o calendário das próximas semanas é decisivo. Entre 22 e 29 de maio, o plenário virtual deve concluir a análise da ADI 7881. Em paralelo, a presidência do STF precisa marcar a sessão presencial para retomar o caso do BRB. A combinação dos dois resultados pode mexer no quadro político do Distrito Federal e nacional.
O SouBrasília apurou que novos encontros entre representantes do Executivo distrital e ministros do STF estão sendo articulados, sem agenda pública divulgada. A leitura no Palácio do Buriti é de que a pressão sobre o BRB tende a aumentar conforme avancem os relatórios trimestrais do banco e o monitoramento do Banco Central.
A passagem da governadora pela Praça dos Três Poderes também repercutiu na Câmara Legislativa. Parlamentares aliados destacaram o esforço institucional para conduzir as duas pautas, enquanto deputados da oposição cobraram divulgação integral de eventuais memorandos e contratos relacionados ao BRB. A polarização em torno dos dois temas tende a se aprofundar em audiências marcadas para as próximas semanas.
Procuradores que acompanham o caso lembram que a articulação política, embora frequente em momentos pré-julgamento, não substitui o debate jurídico. As manifestações formais das partes constam dos autos, e os ministros formam convicção a partir dos elementos protocolados pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, pelo BRB, pela PGR e pelos amici curiae habilitados nos processos.
O encontro de 12 de maio se soma a um conjunto de movimentos do Executivo distrital nas últimas semanas, que incluiu reuniões com lideranças do Congresso e ajustes na lei de capitalização. O resultado das duas frentes deve definir parte importante do calendário político de Celina Leão no próximo ciclo.








