Vamos ter que colocar alguém na cadeia, diz Lula sobre alta do diesel

abril 1, 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom nesta quarta-feira (1°) em relação ao aumento do preço do diesel no país. Em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará, ele afirmou que o governo está agindo em conjunto com Procons estaduais e a Polícia Federal para fiscalizar o setor, e advertiu que a pressão sobre os preços pode terminar com alguém preso.

A declaração vem na esteira de uma medida adotada pelo governo federal para tentar conter os preços: a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel. Na prática, a ação elimina os únicos dois tributos federais cobrados sobre o combustível, o que representa uma redução potencial de R$ 0,32 por litro para o consumidor final.

Apesar disso, Lula sinalizou que parte do setor não estaria repassando o benefício à população. Segundo ele, comerciantes estariam elevando os preços mesmo após receberem o benefício fiscal — comportamento que, na avaliação do presidente, configura má-fé e justifica ação repressiva das autoridades.

Contexto internacional também entra no discurso

O presidente associou o cenário de pressão sobre os combustíveis ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o governo não vai tolerar que tensões geopolíticas externas — especificamente as envolvendo Estados Unidos e Israel — se traduzam em aumento de preços para o brasileiro.

Lula também voltou a classificar o conflito com o Irã como desnecessário e defendeu o acordo que havia sido costurado para permitir o enriquecimento de urânio iraniano nos mesmos moldes adotados pelo Brasil. Segundo ele, a recusa de Washington e da União Europeia em aceitar o entendimento foi o que precipitou a escalada do conflito.

Comparação com a gestão Bolsonaro

O petista foi enfático ao diferenciar a postura atual da adotada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no que diz respeito à política de combustíveis. Sem detalhar as diferenças técnicas, Lula afirmou que as situações são distintas e que o contexto de guerra exige respostas específicas.