Grupo usava perfis falsos no Grindr para atrair homens até locais isolados em Samambaia; um dos detidos já havia sido preso na Operação Cilada em 2025 e voltou a agir após ganhar liberdade
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu nesta quarta-feira (25/3) três homens suspeitos de integrar o “Bonde dos Galãs”, quadrilha especializada em atrair vítimas por meio de aplicativos de relacionamento para depois roubá-las com extrema violência. A ação foi conduzida pela 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Norte, e resultou também na apreensão de uma arma de fogo usada pelos criminosos.
Como o golpe funcionava
O método do grupo seguia um roteiro já mapeado pelas autoridades. Os integrantes criavam perfis falsos no Grindr — aplicativo voltado ao público gay — e marcavam encontros com as vítimas. Ao chegarem ao local combinado, elas eram surpreendidas pelos criminosos, levadas a áreas afastadas e submetidas a agressões físicas, ameaças com arma de fogo e extorsão.
Além de roubar celulares e dinheiro em espécie, o bando forçava as vítimas a realizar transferências bancárias. Em casos registrados anteriormente, algumas chegaram a ficar retidas até o amanhecer.
Vítima internada e em estado grave
No episódio mais recente, a crueldade foi além do padrão. A vítima foi espancada com brutalidade e ficou com uma arma apontada para a cabeça enquanto era obrigada a se calar. Após o ataque, precisou ser socorrida e encaminhada ao hospital, onde permanece internada aguardando cirurgia em razão da gravidade dos ferimentos.
Reincidência preocupa autoridades
Um dos três presos já tinha passagem pelo mesmo crime. Ele havia sido detido durante a Operação Cilada, deflagrada em 17 de junho de 2025 com o objetivo de desmantelar a organização. Após recuperar a liberdade, voltou a agir com o mesmo modus operandi — o que acende um alerta sobre a capacidade do grupo de se rearticular rapidamente.
O que foi a Operação Cilada
A operação de junho de 2025 identificou que o grupo atuava de forma sistemática nas quadras 423 e 425 de Samambaia, utilizando o Grindr como ferramenta principal de caça às vítimas. O foco era deliberado na comunidade LGBTQIAPN+, considerada mais vulnerável à exposição pública do crime e, por isso, mais propensa a não registrar boletim de ocorrência.
A PCDF reforça os alertas de segurança para quem utiliza aplicativos de encontro: priorizar locais públicos e movimentados para o primeiro contato, informar a um familiar ou amigo o local do encontro e nunca compartilhar dados pessoais sensíveis com desconhecidos.








