Governo Lula quer regulamentar entregadores de aplicativo com piso mínimo por entrega

março 12, 2026
Governo Lula quer regulamentar entregadores de aplicativo com piso mínimo por entrega

Boulos lidera grupo de trabalho que pressiona por votação ainda em 2026; categoria teme redução de ganhos com contribuição previdenciária obrigatória

O governo federal quer colocar em marcha, o quanto antes, a lei que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo. À frente do processo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defende que a ausência de regras claras beneficia as grandes plataformas digitais em detrimento dos trabalhadores.

Piso de R$ 10 por entrega e R$ 2,50 por quilômetro

A proposta em discussão prevê remuneração mínima de R$ 10 por entrega ou corrida, acrescida de R$ 2,50 por quilômetro rodado. O objetivo é garantir uma base de pagamento que ao menos cubra os custos operacionais de quem trabalha nas ruas — combustível, manutenção do veículo e desgaste físico.

Outro ponto do texto busca corrigir distorções no sistema de “entregas agrupadas”, modalidade em que a plataforma cobra o valor cheio de dois ou mais clientes próximos, mas repassa ao entregador um valor inferior ao proporcional. A proposta é que esses ganhos logísticos sejam divididos de forma mais equitativa.

Taxas de até 50% acendem o alerta

Entre as críticas mais recorrentes da categoria está a fatia retida pelas plataformas, que pode consumir até metade do valor pago pelo cliente. Para os trabalhadores, é injusto arcar sozinhos com todos os custos operacionais enquanto as empresas ficam com parcela tão expressiva do faturamento.

Trabalhadores temem perda de renda e autonomia

Apesar do discurso pró-trabalhador, a regulamentação gera apreensão em parte da categoria. Os dois pontos mais sensíveis são a contribuição previdenciária obrigatória — que representa um desconto direto nos rendimentos — e a possibilidade de regras sobre carga horária, o que limitaria a autonomia que muitos consideram o principal atrativo do modelo.

Votação na Câmara deve ser acelerada

Para destravar o processo legislativo, os ministros Luiz Marinho e Gleisi Hoffmann se reuniram com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. O encontro teve como foco dar prioridade ao relatório do deputado Augusto Coutinho, com a meta de garantir segurança jurídica e direitos mínimos à categoria ainda no primeiro semestre de 2026.