GDF projeta 120 km de novos trilhos e R$ 29,2 bilhões em metrô e VLT

setembro 17, 2026
Trem do Metrô-DF em via férrea nas proximidades da estação Samambaia Sul

O Governo do Distrito Federal apresentou nesta quarta-feira (16), em Brasília, um plano de expansão sobre trilhos que soma 119,7 quilômetros de novas linhas, 114 estações e paradas e investimento estimado em R$ 29,2 bilhões ao longo de dez anos. O pacote reúne a Linha 2 do Metrô-DF e duas linhas de VLT.

É o maior desenho de mobilidade já colocado no papel pelo GDF desde a inauguração do metrô. Os projetos atendem regiões que hoje dependem de ônibus para chegar ao Plano Piloto, caso de Santa Maria, Gama e Recanto das Emas, e reforçam o eixo Taguatinga-Ceilândia, o mais populoso do Distrito Federal.

Linha 2 do metrô: 79,8 km e 67 estações

A maior intervenção prevista é a Linha 2 do Metrô-DF. São 79,8 quilômetros e 67 estações, com tronco principal de 40,1 quilômetros entre Santa Maria e a região central de Brasília, mais ramais para o Gama e o Recanto das Emas.

O traçado atende oito regiões administrativas. A capacidade estimada é de 239,9 mil passageiros por dia útil, com intervalo de três minutos no horário de pico e percurso completo em 57 minutos. O investimento previsto para esse trecho é de R$ 20,3 bilhões, dois terços de todo o plano.

Os dois VLTs: aeroporto, W3, Noroeste e Ceilândia

O VLT Linha 1 liga o Aeroporto Internacional de Brasília à W3 e ao Noroeste. São 22,4 quilômetros, 25 paradas e três fases de obra: Hípica-BSB Shopping, Aeroporto-Hípica e BSB Shopping-Noroeste. A demanda projetada é de 174,8 mil passageiros por dia útil, com frota de 39 trens e viagem completa em cerca de 49 minutos. Custo estimado: R$ 4,8 bilhões.

O VLT Linha 3 corre entre Taguatinga e Ceilândia, com 17,5 quilômetros e 22 estações. O traçado passa pelo Sol Nascente/Pôr do Sol, pela Avenida Hélio Prates e pela Praça do Relógio. A projeção é de 100 mil passageiros por dia útil, intervalo de seis minutos no pico e percurso de 39 minutos. Custo estimado: R$ 4,1 bilhões.

Somados, os números do plano ficam assim:

  • 119,7 km de novas linhas e 114 estações e paradas;
  • R$ 29,2 bilhões em dez anos, a valores de 2026;
  • R$ 21,6 bilhões (73,7%) de recursos públicos, para obra civil e sistemas;
  • R$ 7,6 bilhões (26,3%) da iniciativa privada, para a compra do material rodante;
  • Prazo de entrega estimado entre quatro e oito anos, conforme o trecho.

O que já está em obra e o que ainda é projeto

O plano apresentado nesta quarta é de projeto, não de obra contratada. O que está efetivamente em execução hoje é outra frente: a expansão do Metrô-DF em Samambaia, que chegou a 23% de conclusão com R$ 319 milhões e vai acrescentar duas estações à Linha 1.

Também segue pendente a renovação da frota. Em julho, o GDF autorizou a licitação de 15 novos trens para dobrar a capacidade do sistema; em setembro, o Tribunal de Contas do Distrito Federal suspendeu o certame, de cerca de R$ 1 bilhão, para análise. Sem trem novo, o ganho de capacidade das linhas projetadas depende de aquisição futura.

A divisão de financiamento é o ponto que define o calendário real. A parcela privada de R$ 7,6 bilhões pressupõe modelagem de concessão ou parceria público-privada para o material rodante, etapa que ainda precisa de estudo aprovado, consulta pública e edital. Os R$ 21,6 bilhões de dinheiro público dependem de fonte orçamentária, financiamento ou aporte federal, nenhum deles anunciado até agora.

O próximo passo é a conclusão dos estudos de viabilidade de cada linha e a definição do modelo de contratação. Só depois disso o cronograma de quatro a oito anos passa a valer como prazo de obra.

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