O Metrô-DF informou à Câmara Legislativa do Distrito Federal que não conseguiu identificar de qual composição se soltou a peça que provocou o descarrilamento de 28 de julho, na Asa Sul. A resposta foi enviada à Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) e revela ainda que uma inspeção no trem acidentado encontrou quatro rodas fora do diâmetro mínimo.
A peça é uma culatra, componente do sistema da barra de união dos trens da Série 1000. Ela caiu na via e foi encontrada no trecho onde o primeiro rodeiro do carro líder do trem 32 saiu dos trilhos, sobre o Aparelho de Mudança de Vias entre as estações 110 Sul e 112 Sul.
Pela resposta da companhia, o descarrilamento cancelou 184 viagens e afetou cerca de 3,6 mil passageiros. A recuperação da via custou aproximadamente R$ 90 mil.
Rodas fora da medida no trem acidentado
A inspeção feita no trem 32 depois do acidente apontou quatro rodas no carro 4, nos eixos 1 e 2, com diâmetro abaixo do limite mínimo estabelecido. Uma das rodas do eixo 1 também apresentava baixa espessura do friso, a saliência que mantém a roda encaixada no trilho. Segundo o Metrô-DF, os problemas foram corrigidos depois da inspeção.
O ponto que a companhia não esclareceu é a origem da culatra. A peça foi recolhida na via, mas o Metrô-DF não apontou de qual trem ela se desprendeu.
“É muito grave o Metrô não conseguir identificar de qual trem se desprendeu uma peça capaz de provocar um descarrilamento”, afirmou o deputado distrital Max Maciel (PSol), presidente da CTMU.
Comissão cobra desde 2023
Max Maciel afirma que o episódio confirma alertas que a comissão vem fazendo há três anos. A CTMU realizou vistoria técnica no pátio de manutenção do Metrô-DF e apresentou relatório que aponta redução da frota operacional, dificuldade de manutenção e falta de peças de reposição.
“Hoje temos material altamente desgastado, peças que já não são encontradas no mercado”, disse o parlamentar.
A frota do Metrô-DF combina trens da Série 1000, os mais antigos, com composições da Série 2000. A culatra que caiu na via pertence ao sistema de barra de união da Série 1000.
O relatório da comissão foi emitido em 22 de junho, um mês antes do descarrilamento, depois de vistoria técnica feita em 29 de maio no pátio de manutenção. O documento registra frota de 32 trens, com 19 composições circulando nos horários de pico, e descreve a retirada de peças de trens parados para manter outros em operação, prática que os parlamentares chamam de canibalização.
As fontes que noticiaram o relatório divergem sobre quantas composições estavam fora de circulação na data da vistoria. O que o documento afirma sem divergência é o quadro: frota envelhecida, dificuldade para comprar peças de reposição e manutenção comprometida.
O que o passageiro sentiu no dia
O descarrilamento aconteceu na manhã de 28 de julho, durante os preparativos para o início da operação comercial. Todas as estações da Asa Sul ficaram paradas e a circulação foi interrompida no trecho central da linha, o que provocou filas e lotação nas plataformas em plena hora do rush.
O sistema atende as principais regiões administrativas do eixo oeste, com estações em Ceilândia, Samambaia, Taguatinga, Águas Claras, Guará e no Plano Piloto. Uma interrupção no trecho central afeta quem embarca em qualquer ponto da linha.
Um mês de decisões sobre a frota
A resposta à CLDF chega no mesmo mês em que o Tribunal de Contas do Distrito Federal suspendeu a licitação de cerca de R$ 1 bilhão para a compra de 15 novos trens. A aquisição é o principal item da modernização da frota discutida desde o relatório da comissão.
Com a licitação parada e a resposta oficial reconhecendo material desgastado, a renovação dos trens fica sem prazo definido enquanto o processo não é destravado no tribunal.
- Data do descarrilamento: 28 de julho de 2026, entre as estações 110 Sul e 112 Sul
- Causa apontada: culatra da barra de união de trem da Série 1000, encontrada na via
- Viagens canceladas: 184
- Passageiros afetados: cerca de 3,6 mil
- Custo de recuperação da via: cerca de R$ 90 mil
Na resposta enviada à comissão, o Metrô-DF afirma que os problemas encontrados nas rodas do trem 32 foram sanados. A companhia não indicou prazo para concluir a apuração sobre a origem da peça encontrada na via.
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