O poeta e jornalista Luis Turiba morreu nesta quarta-feira (26), aos 76 anos, em Salvador. Cidadão honorário de Brasília, ele estava internado com um quadro pulmonar grave, causado por sequelas da covid-19, somado a insuficiência cardíaca. O sepultamento ocorre nesta quinta-feira (27), na capital baiana, onde morava com a filha mais nova.
Nascido Luiz Artur Toribio, Turiba construiu a maior parte da carreira em Brasília e transitou entre a redação e a poesia por cinco décadas. Deixa cinco filhos e seis netos, segundo nota do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal.
Da redação à Esplanada
Turiba começou como repórter no jornal O Globo aos 23 anos e passou pela Editora Bloch, casa da revista Manchete. Depois se fixou na sucursal da Gazeta Mercantil em Brasília, em um período em que o jornal econômico era referência na cobertura de política e negócios na capital.
Trabalhou na assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados durante a Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988, e passou pelo Ministério da Cultura em 1985. Voltou à pasta na gestão de Gilberto Gil, entre 2002 e 2005, na área de comunicação.
Na imprensa, venceu dois Prêmios Esso, um pelo Jornal de Brasília e outro pelo Correio Braziliense, as duas principais redações locais no período.
A obra de poeta
A estreia literária foi em 1977, com o livreto de poesias Kiprokó, publicado no circuito independente que marcava a produção poética brasiliense da época. Em 1998, lançou o livro-CD Cadê, que lhe rendeu o Prêmio Candango de Literatura.
Os títulos que assinou ao longo da carreira:
- Kiprokó, de 1977
- Cadê, livro-CD de 1998
- Quetais, de 2014
- Poeira Cósmica, de 2020
- Desacontecimentos, de 2022
Turiba também criou em Brasília a revista Bric-a-Brac, publicação que reuniu poesia, crítica e artes visuais e circulou entre autores da cidade.
O reconhecimento pela resistência à ditadura
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia reconheceu formalmente a atuação de Turiba contra a ditadura militar, e o Estado brasileiro apresentou pedido de desculpas em sessão. O reconhecimento veio quase cinco décadas depois do período em que ele iniciou a carreira no jornalismo, sob censura.
O título de cidadão honorário de Brasília foi concedido pelos serviços prestados à cultura da cidade. Turiba integrou a geração de escritores e jornalistas que ajudou a formar o circuito literário da capital nos anos 1970 e 1980, quando a cidade ainda não tinha os equipamentos culturais e os editais de fomento que existem hoje.
A repercussão
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal manifestou solidariedade à família em nota divulgada nesta quarta-feira. A morte foi lamentada por colegas de redação e por autores ligados ao circuito literário brasiliense, no qual Turiba atuou como escritor e como articulador.
A produção literária de Brasília segue com espaço em eventos da cidade. A Bienal do Livro deu mesa própria à literatura infantil feita no DF nesta edição, sinal do crescimento do circuito local que autores da geração de Turiba ajudaram a abrir.
Serviço
- Sepultamento: quinta-feira (27), em Salvador (BA)
- Local e horário: a serem divulgados pela família








