Homem de 53 anos morre após mal súbito em treino de hyrox no DF

agosto 20, 2026
Halteres organizados em suporte de academia

Um homem de 53 anos morreu na noite de terça-feira (18) em uma academia do Pistão Sul, no Distrito Federal, depois de sofrer mal súbito enquanto se preparava para um treino coletivo de hyrox. A Polícia Civil do Distrito Federal foi acionada por volta das 22h30 e encaminhou o corpo ao Instituto Médico-Legal (IML).

Segundo o gerente da academia, o homem perdeu a consciência e caiu antes do início da sessão. A equipe acionou o Samu, que iniciou os primeiros socorros e as manobras de reanimação. Os médicos mantiveram o atendimento por cerca de 30 minutos e aplicaram quatro ampolas de adrenalina. Ele não resistiu e a morte foi confirmada no local, após parada cardiorrespiratória.

As circunstâncias e a causa da morte serão apuradas pela PCDF, com base no laudo do IML. Até a manhã desta quinta-feira (20), não havia informação oficial sobre histórico de saúde da vítima nem sobre eventual condição cardíaca prévia.

O que é o hyrox

O hyrox é uma modalidade que combina corrida com estações de exercícios funcionais. O formato de competição alterna oito trechos de um quilômetro de corrida com oito exercícios de força e resistência, entre eles remo, empurrar e puxar trenó, carregamento de peso e agachamento com saco de areia. Nas academias, o treino coletivo reproduz o circuito em versão reduzida.

É um esforço contínuo de alta intensidade e longa duração, que combina componente aeróbico e força. Esse perfil de exercício exige preparo progressivo, e a orientação usual de cardiologistas é fazer avaliação médica antes de iniciar treinos intensos, especialmente a partir dos 40 anos ou diante de fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo e histórico familiar de morte súbita.

Parada cardiorrespiratória: o que fazer

Quando alguém desmaia, não responde ao chamado e não respira normalmente, o atendimento imediato aumenta a chance de sobrevivência. As orientações do protocolo de suporte básico de vida são:

  • checar a responsividade e a respiração e pedir ajuda a quem estiver por perto;
  • ligar para o Samu no 192 ou para o Corpo de Bombeiros no 193;
  • iniciar compressões torácicas no centro do peito, com força e ritmo constantes, sem interromper;
  • pedir o desfibrilador externo automático (DEA), se o local tiver o equipamento, e seguir as instruções de voz do aparelho;
  • revezar as compressões com outra pessoa a cada dois minutos, até a chegada do socorro.

Academias que mantêm desfibrilador e equipe treinada em suporte básico de vida reduzem o tempo entre a parada e a primeira desfibrilação, intervalo decisivo no desfecho. Cada minuto sem compressão e sem choque diminui a chance de reversão do quadro.

Investigação segue no IML

A perícia é quem define a causa da morte em casos de mal súbito. O exame necroscópico verifica sinais de infarto, arritmia, alteração estrutural do coração e outras condições que possam ter desencadeado a parada. Sem o laudo, qualquer atribuição de causa é especulação.

Mortes súbitas durante atividade física têm baixa frequência em relação ao total de praticantes, mas ganham repercussão quando ocorrem em ambiente coletivo. A conduta recomendada para quem treina segue a mesma: avaliação médica antes de começar, progressão de carga e atenção a sintomas como dor no peito, tontura, falta de ar desproporcional ao esforço e palpitação.

Avaliação antes de treinar

A avaliação pré-participação costuma incluir consulta clínica com histórico pessoal e familiar, aferição de pressão arterial e eletrocardiograma de repouso. Conforme o risco identificado, o médico pode pedir teste ergométrico, ecocardiograma ou exames de sangue. O objetivo é detectar condições silenciosas, como arritmias, doença coronariana e alterações estruturais do músculo cardíaco.

Quem já treina deve interromper o exercício e procurar atendimento diante de dor ou aperto no peito, tontura, desmaio, palpitação persistente e falta de ar desproporcional ao esforço. Sintomas que aparecem sempre no mesmo nível de carga merecem investigação, ainda que passem com o repouso.

Leia também: Protocolo de urgência cardiovascular no SUS vai à sanção.

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