Projeto do MPDFT já atendeu 62 mulheres que sobreviveram a feminicídio

agosto 15, 2026
Duas mulheres durante sessão de atendimento psicológico em consultório claro

O Distrito Federal registrou 44 ocorrências confirmadas de tentativa de feminicídio no primeiro semestre de 2026, e um projeto do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acompanha as mulheres que sobreviveram a esses ataques. Entre setembro de 2025 e maio de 2026, o Amparar atendeu 62 mulheres nessa condição.

Coordenado pelo Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav) do MPDFT, o projeto trata de uma etapa que costuma ficar sem endereço na rede de proteção: o que acontece depois que a mulher sobrevive. A investigação segue, o processo tramita, e a vítima fica sem informação sobre o próprio caso enquanto lida com sequelas físicas e psíquicas.

O perfil levantado pelo Nuav mostra onde o ataque acontece e quem o pratica. A idade média das vítimas é de 34 anos, e 78% delas são pardas. Em 82% dos casos, há relação íntima de afeto entre a mulher e o agressor, e em 41% o autor é marido ou companheiro. Três em cada quatro ataques ocorrem dentro da própria residência.

O que o projeto oferece

O atendimento é multidisciplinar e reúne assistência jurídica, psicológica e social. Na prática, a mulher passa por etapas encadeadas:

  • orientação jurídica sobre o andamento do processo criminal e sobre os próprios direitos;
  • suporte emocional prestado por equipe técnica;
  • elaboração do Plano de Atenção à Vítima (PAV), documento que organiza as necessidades de cada caso;
  • encaminhamento para a rede pública de saúde e de assistência social;
  • acompanhamento das familiares nos casos de crimes com resultado morte.

A promotora de Justiça Thaís Tarquinio Oliveira, que coordena o Nuav, resume o vazio que o projeto tenta preencher:

A vítima precisa lidar com o impacto psíquico do crime e com a falta de informação sobre o andamento do processo.

Professora da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Psicologia, Miriam Pondaag descreve o efeito da violência prolongada sobre a percepção da própria situação: “A dependência feminina gera violência, e esta gera dependência. O impacto na saúde mental faz com que as mulheres duvidem de suas próprias percepções.”

Como acessar o atendimento

O acesso não exige intermediação de delegacia ou de advogado. A mulher pode procurar o Nuav diretamente pelos canais abaixo:

  • WhatsApp: (61) 99635-6929
  • E-mail: amparar@mpdft.mp.br
  • Endereço: Promotoria de Justiça de Brasília II, no Setor de Múltiplas Atividades Sul (SMAS), Trecho 4, lotes 6/8
  • Horário: de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h
  • Formulário: preenchimento em plataforma digital do MPDFT

O serviço também recebe familiares de vítimas de crimes com resultado morte, incluindo os órfãos do feminicídio, público que passou a ter atenção específica na rede de proteção do DF.

Onde o projeto se encaixa na rede do DF

A Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026, e a estrutura montada desde 2006 no Distrito Federal cobre bem a fase da denúncia e da medida protetiva, com delegacias especializadas, juizados e centros de referência. A lacuna aparece depois: a mulher que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio volta para casa com o processo correndo, muitas vezes na mesma quadra onde foi atacada.

O dado de 82% de vínculo afetivo entre vítima e agressor tem consequência prática nesse ponto. Ele indica que a maior parte das mulheres atendidas precisa reorganizar moradia, renda e rotina de filhos ao mesmo tempo em que responde às demandas do processo. É o tipo de necessidade que nenhuma das etapas anteriores da rede resolve sozinha.

O acompanhamento pelo Nuav também produz um efeito processual. A vítima informada sobre prazos e audiências tem menos chance de abandonar o caso, e o abandono é uma das principais causas de arquivamento em processos de violência doméstica.

Leia também: Taguatinga recebe ciclo de palestras sobre violência doméstica em 19 de agosto.

Denúncia e canais de emergência

Para situações em curso, os canais permanecem os mesmos e funcionam 24 horas:

  1. 190 para emergência policial, quando há risco imediato;
  2. 180, Central de Atendimento à Mulher, para denúncia e orientação;
  3. 197 para a Polícia Civil do Distrito Federal;
  4. Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), para registro e pedido de medida protetiva de urgência.

A medida protetiva pode ser pedida na própria delegacia, sem custo e sem advogado, e a Lei 11.340/2006 fixa prazo de 48 horas para que o juiz decida sobre o pedido encaminhado pela autoridade policial.

Perguntas frequentes

Como acessar o projeto Amparar do MPDFT?

Pelo WhatsApp (61) 99635-6929, pelo e-mail amparar@mpdft.mp.br ou presencialmente na Promotoria de Justiça de Brasília II, no SMAS Trecho 4, lotes 6/8, de segunda a sexta, das 12h às 19h.

Quais são os canais de denúncia de violência contra a mulher no DF?

O 190 para emergência policial, o 180 da Central de Atendimento à Mulher, o 197 da PCDF e as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher, que registram a ocorrência e encaminham o pedido de medida protetiva.

Faz parte da rede de portais NYX · Distrito News — noticias do Distrito Federal