A Polícia Civil de Goiás procura dois homens apontados como autores da chacina que matou quatro pessoas em Formosa, no Entorno do Distrito Federal, na tarde de 11 de agosto. Rodrigo Anderson Barbosa e Maurício Correa Silvério da Silva seguem foragidos. Antes de sumir, Maurício gravou um vídeo em que narra sua versão do crime, material que circulou nas redes sociais e passou a integrar a investigação.
O caso ocorreu no Setor Parque Lago. As quatro vítimas foram identificadas como Gustavo Fernandes Graças, Gustavo Aurélio, André Ferreira, conhecido como Tarobá, e Luiz Antônio Rodrigues, o Nego. Elas foram mortas a tiros dentro de uma caminhonete, segundo a apuração da Polícia Civil goiana. A cobrança de uma dívida de R$ 250 mil aparece como motivação nas primeiras linhas de investigação.
O que diz o vídeo e como a polícia o interpreta
Na gravação, o suspeito sustenta que agiu em legítima defesa. Ele relata que o filho ligou em desespero, afirma que um grupo perseguia Rodrigo e descreve a chegada dos quatro homens à casa.
“Quando o Maurício chegou em casa, o Rodrigo tentou entrar e não conseguiu. O carro chegou atrás. De dentro da caminhonete, saiu um disparo. Eu revidei.”
Em outro trecho, ele afirma que não esperava a reação dos quatro homens e diz suspeitar que integrantes de um grupo vindo de São Paulo teriam ido ao local para executar alguém. Nenhuma dessas versões foi confirmada pela investigação até agora.
Para o delegado José Antônio Sena, da Polícia Civil de Goiás, a divulgação tem finalidade específica. Segundo ele, os vídeos buscam construir uma realidade paralela à dos fatos apurados, sustentando a tese de legítima defesa antes que a perícia conclua os laudos. A investigação corre no Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Formosa.
Suspeitos se apresentaram e foram liberados dois dias antes
A sequência de idas e vindas ajuda a explicar por que dois homens ainda estão soltos. Na madrugada de 13 de agosto, três suspeitos compareceram à delegacia acompanhados de advogado e foram liberados: naquele momento não havia mandado de prisão em aberto contra eles. Sem ordem judicial, a polícia não pode manter um suspeito detido que se apresenta espontaneamente e não está em flagrante.
Os mandados saíram depois. Na sexta-feira (14), Matusalém Silvério da Silva, policial militar da reserva e pai de Maurício, se apresentou em uma delegacia de São Luís de Montes Belos, no interior de Goiás, e foi preso em cumprimento a mandado expedido pela Justiça.
Com a prisão dele, restam dois foragidos. A polícia não divulgou se há indícios de que a dupla tenha deixado o estado. Formosa fica a cerca de 80 quilômetros de Brasília e concentra deslocamento diário de moradores para o DF, o que amplia a área de busca.
A cronologia do caso
- 11 de agosto: quatro homens são mortos a tiros dentro de uma caminhonete, no Setor Parque Lago, em Formosa
- 13 de agosto: três suspeitos se apresentam de madrugada na delegacia, acompanhados de advogado, e são liberados por não haver mandado de prisão em aberto
- 14 de agosto: o vídeo gravado por Maurício circula nas redes sociais, e Matusalém, pai dele, se entrega em São Luís de Montes Belos já com mandado expedido
- Agora: Rodrigo Anderson Barbosa e Maurício Correa Silvério da Silva seguem foragidos, com buscas em andamento
O intervalo entre a apresentação espontânea e a expedição dos mandados é o ponto que mais gerou dúvida entre moradores do Entorno. A liberação na madrugada de 13 de agosto não significou arquivamento: ela apenas refletiu o estágio processual daquele momento, antes de a Justiça acolher o pedido de prisão formulado com base nos elementos reunidos até ali.
O que ainda falta na investigação
- Conclusão dos laudos periciais sobre a dinâmica dos disparos, que devem confirmar ou afastar a versão de reação
- Localização de Rodrigo Anderson Barbosa e Maurício Correa Silvério da Silva
- Definição do enquadramento de cada envolvido, já que a apuração trata de quatro mortes na mesma ocorrência
- Esclarecimento da origem e da natureza da dívida de R$ 250 mil
- Verificação da tese de que um grupo de fora do estado teria participação no episódio
Nenhum dos suspeitos foi condenado. As versões apresentadas por eles ainda serão confrontadas com a perícia, e a legítima defesa alegada em vídeo só se sustenta juridicamente se os laudos indicarem que os disparos partiram primeiro da caminhonete. Enquanto isso não ocorre, todos respondem na condição de investigados.
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