O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou o pedido de registro de candidatura à reeleição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de sexta-feira, 7 de agosto, acompanhado do programa de governo apresentado pela coligação Brasil Pronto Pra Mais. O documento tem 84 páginas, traz Geraldo Alckmin como candidato a vice e propõe a continuidade da política econômica em curso, sem apontar onde o próximo governo cortaria despesas.
O texto foi registrado no sistema do TSE no dia 8 e passou a integrar os autos do pedido. É a peça formal em que cada campanha resume por escrito o que pretende executar caso vença a eleição de outubro. Diferentemente das promessas de palanque, o programa fica anexado ao processo de registro e pode ser consultado por qualquer eleitor.
O que o programa diz sobre economia
Na parte econômica, o documento se ancora em três compromissos já em vigor no atual mandato: manutenção do arcabouço fiscal aprovado em 2023, continuidade da reforma tributária e o que o texto chama de políticas de progressividade tributária. A redação fala em “controlar o crescimento do gasto primário e melhorar a eficiência e a qualidade do gasto público”, fórmula que repete o desenho fiscal já aplicado pelo Ministério da Fazenda.
O que o programa não faz é indicar rubricas específicas de corte. Não há lista de programas a serem extintos nem meta numérica de redução de despesa obrigatória, item que costuma ser o ponto de atrito entre governo e mercado desde a criação do novo regime fiscal.
A crítica mais direta a gasto no texto recai sobre as emendas parlamentares. O programa registra diagnóstico negativo sobre o modelo atual, com a avaliação de que as emendas dispersam recursos da União sem planejamento concreto. O tema atravessou o mandato: o Supremo Tribunal Federal impôs regras de rastreabilidade e transparência às emendas ao longo de 2024 e 2025, e a execução ficou condicionada a critérios de identificação do autor e da destinação.
Do lado das despesas novas, o programa inclui a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. A medida depende de alteração constitucional, com tramitação em dois turnos nas duas Casas do Congresso, e não se resolve por decreto ou medida provisória.
Soberania é o fio condutor do texto
A palavra soberania aparece em 21 das 84 páginas do documento, segundo levantamento do Brasil de Fato. O tema organiza boa parte do programa e aparece em trechos como “o Brasil não será submisso a interesses estrangeiros nem aceitará uma posição de dependência” e “ser soberano significa que o povo brasileiro deve decidir seu próprio futuro, protegendo nossas riquezas”.
A ênfase dialoga com o principal contencioso externo do governo neste ano. Na quinta-feira, 13, o Executivo abriu processo para avaliar medidas de retaliação às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, com base na Lei da Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/2025). A disputa comercial atinge exportadores de vários setores e virou tema de campanha.
“Fortalecer a indústria nacional e criar empregos de qualidade para a nossa gente”
Outro eixo do documento trata de desigualdade. O texto afirma que “não é possível mudar o Brasil sem enfrentar a desigualdade racial” e sintetiza a política tributária na frase “o pobre esteja no orçamento e o rico no Imposto de Renda”.
O que vem agora no calendário eleitoral
Pela Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), os pedidos de registro de candidatura precisam ser protocolados até 15 de agosto do ano eleitoral. Depois disso, a Justiça Eleitoral analisa documentação, certidões e eventuais impugnações antes de decidir sobre o deferimento de cada chapa. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Os programas de governo e as demais informações do registro ficam disponíveis para consulta pública no sistema DivulgaCandContas, no site do TSE, onde também aparecem bens declarados e prestações de contas de campanha.
Por que isso importa para o Distrito Federal
Brasília concentra a maior proporção de servidores públicos federais do país, e decisões sobre gasto primário, reajuste do funcionalismo e emendas parlamentares se traduzem diretamente em renda e movimentação econômica local. A cidade também sedia os órgãos que executam o Orçamento, de modo que mudanças no arcabouço fiscal costumam chegar antes ao mercado de trabalho do Plano Piloto que ao restante do país.
- Protocolo do registro: 7 de agosto de 2026, no TSE
- Coligação: Brasil Pronto Pra Mais
- Vice: Geraldo Alckmin
- Tamanho do programa: 84 páginas
- Prazo final de registro: 15 de agosto
- Primeiro turno: 4 de outubro
Leia também: Plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe novo teto de gastos.
Perguntas frequentes
Quando Lula registrou a candidatura no TSE?
O pedido de registro foi protocolado na noite de sexta-feira, 7 de agosto de 2026, e o programa de governo foi registrado no sistema do TSE no dia 8.
Quantas páginas tem o plano de governo de Lula?
O documento apresentado pela coligação Brasil Pronto Pra Mais tem 84 páginas.
O plano prevê corte de gastos?
O texto fala em controlar o crescimento do gasto primário e melhorar a eficiência do gasto público, mas não detalha quais despesas seriam cortadas. A crítica mais direta recai sobre o modelo atual de emendas parlamentares.
Onde consultar o plano de governo dos candidatos?
No sistema DivulgaCandContas, no site do TSE, que reúne programas de governo, bens declarados e prestação de contas de cada candidatura.
Qual o prazo final para registro de candidatura em 2026?
15 de agosto, conforme a Lei das Eleições. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.








