PCDF recupera 117 identidades de corpos não identificados no DF

agosto 14, 2026
Dedo pressiona o leitor biometrico de um equipamento de identificacao por impressao digital

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) recuperou 117 identidades a partir da reanálise de 409 perícias de cadáveres não identificados no DF. O trabalho é do Projeto Orfeu, lançado em 2 de julho de 2026 pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) da corporação.

O projeto reprocessa biometrias que ficaram sem resposta na época em que foram coletadas. São registros produzidos ao longo de três décadas, quando os sistemas de comparação de impressões digitais tinham alcance muito menor do que o atual.

Na prática, cada uma dessas 117 identidades corresponde a uma pessoa que estava enterrada como desconhecida e a uma família que seguia sem resposta. É esse o efeito que o Instituto de Identificação (II) da PCDF persegue: transformar arquivo parado em certidão de óbito com nome.

Como o reprocessamento funciona

A base do método é simples de descrever e difícil de executar. A digital coletada de um corpo não identificado é submetida de novo a comparação, agora contra bases estaduais e federais interoperáveis, e com sistemas biométricos que não existiam quando o registro foi feito.

“O Projeto Orfeu promove o reprocessamento de biometrias anteriormente submetidas às limitações tecnológicas de sua época, possibilitando novas oportunidades de identificação humana”, informa a PCDF.

O ganho técnico está na leitura de digitais antes consideradas ilegíveis. Segundo reportagem do Correio Braziliense sobre o lançamento, o trabalho aplica inteligência artificial, redes neurais e algoritmos capazes de recuperar impressões digitais comprometidas por decomposição avançada, queimadura ou carbonização, situações em que a papiloscopia convencional não chegava a um resultado.

O mesmo veículo informou que o perfil das identidades restabelecidas acompanha a estatística nacional de mortes violentas, com 93,2% dos cadáveres do sexo masculino, dado atribuído à chefe do Laboratório de Necropapiloscopia, Renata Simões Müller.

O que a PCDF planeja a seguir

A corporação estuda criar um banco pesquisável e permanente de cadáveres não identificados no sistema, para consulta rápida contra registros de desaparecidos de todo o país. Também está prevista a repetição do reprocessamento em ciclos periódicos junto à Polícia Federal, para aproveitar as atualizações dos algoritmos de comparação.

A lógica do ciclo é direta: um caso que não fecha hoje pode fechar daqui a dois anos, sem nova coleta, apenas porque o sistema de comparação melhorou. Isso muda o tratamento do acervo, que deixa de ser arquivo morto e passa a ser fila de reanálise.

O lançamento do projeto reuniu representantes de vários órgãos, entre eles a delegada Viviane Bonato, chefe de gabinete da Delegacia-Geral; Mauro Oliveira, secretário-executivo de Relações Institucionais da Secretaria de Segurança Pública; Jaime Santana de Sousa, secretário de Justiça e Cidadania; e Vanessa Spagnolo, diretora-adjunta do Instituto de Identificação.

O que fazer se você procura um desaparecido

O registro do desaparecimento é o que permite o cruzamento com o acervo de corpos não identificados. Sem ele, não existe o outro lado da comparação. Os caminhos disponíveis no DF são:

  • Registrar a ocorrência de desaparecimento na Delegacia Eletrônica da PCDF ou em qualquer delegacia, sem prazo mínimo de espera. Não é necessário aguardar 24 horas.
  • Procurar a Divisão de Atendimento a Grupos Vulneráveis e as unidades especializadas, que concentram os casos de pessoas desaparecidas.
  • Levar fotografia recente, descrição de características físicas, tatuagens, cicatrizes e informações sobre tratamento odontológico, itens usados na identificação.
  • Informar se a pessoa desaparecida já teve documento com registro biométrico, o que amplia a chance de cruzamento.
  • Acompanhar o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID) do MPDFT, que atua em conjunto com a rede de segurança pública.

Coleta de material genético de familiares é outra frente que costuma destravar casos antigos, sobretudo quando não há digital aproveitável. O banco de perfis genéticos permite comparação entre parentes de desaparecidos e restos mortais não identificados.

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Casos de desaparecimento no Distrito Federal envolvem desde pessoas em situação de rua e portadoras de transtorno mental até vítimas de crime cujo corpo foi localizado sem documento. Em todas essas situações, o corpo pode ter sido sepultado como desconhecido em cemitério público, e é exatamente esse acervo que o Projeto Orfeu revisita.

O número de 117 identidades sai de um universo de 409 perícias reprocessadas, o que dá uma taxa de sucesso de aproximadamente 29% em registros que estavam sem resposta havia anos. Para as famílias envolvidas, o resultado encerra a busca e abre acesso a direitos que dependem da certidão de óbito, como pensão, inventário e seguro.

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