O Ministério da Saúde incluiu no Sistema Único de Saúde (SUS) o teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, para o rastreamento do câncer colorretal. A medida foi formalizada pela Portaria Saes/MS nº 4.642, de 6 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União.
O exame é destinado a homens e mulheres sem sintomas, com idade entre 50 e 75 anos, e a recomendação é de repetição a cada dois anos. O procedimento deverá começar a ser registrado nos sistemas do SUS a partir de setembro, quando passa a ter código próprio de faturamento na rede.
O que muda em relação ao exame antigo
O FIT é um teste de fezes que detecta quantidades pequenas de sangue oculto, invisíveis a olho nu. Esse sangramento pode indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumor já instalado no intestino grosso ou no reto.
A diferença em relação aos testes tradicionais de sangue oculto nas fezes está no método. O FIT usa anticorpos específicos para identificar hemoglobina humana, o que reduz resultados falsos provocados por alimentos e medicamentos ingeridos antes da coleta. Segundo os dados que embasaram a decisão, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Na prática, isso significa menos preparo prévio para o paciente e menos repetição de exame por resultado inconclusivo. O FIT também não substitui a colonoscopia: ele funciona como porta de entrada. Resultado alterado indica encaminhamento para o exame endoscópico, que confirma ou descarta a lesão e permite a retirada de pólipos.
O tamanho do problema
O câncer colorretal é hoje o segundo tipo mais frequente no Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026 a 2028.
- Faixa etária contemplada pelo rastreamento: 50 a 75 anos.
- Periodicidade: a cada dois anos, para quem não apresenta sintomas.
- Sensibilidade do teste: entre 85% e 92%.
- População potencialmente alcançada: mais de 40 milhões de brasileiros.
A doença tem uma característica que faz a diferença no rastreamento: ela costuma se desenvolver a partir de pólipos que levam anos para se transformar em tumor. Detectar e retirar essas lesões antes da malignização é o que sustenta a estratégia de exame periódico em quem não tem queixa alguma.
Como conseguir o exame
O rastreamento no SUS é organizado pela atenção primária. O caminho é procurar a unidade básica de saúde de referência do endereço, informar a idade e pedir avaliação para o rastreamento de câncer colorretal. A equipe verifica se o usuário se enquadra na faixa etária e no perfil sem sintomas.
Quem já apresenta sinais como sangue nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, dor abdominal frequente ou perda de peso sem causa aparente não entra na lógica do rastreamento. Nesse caso, a orientação é buscar atendimento para investigação diagnóstica, que segue outro fluxo e costuma levar direto à colonoscopia.
A oferta na ponta depende da estruturação da rede local, do fluxo de coleta e do processamento laboratorial. O registro nos sistemas do SUS, previsto para setembro, é o passo que permite às secretarias estaduais e municipais contabilizar e faturar o procedimento.
Prevenção que não depende de exame
A redução de risco do câncer de intestino tem fatores conhecidos e mensuráveis: consumo alto de carnes processadas, excesso de álcool, tabagismo, obesidade e sedentarismo aparecem entre os principais. Histórico familiar de câncer colorretal e doenças inflamatórias intestinais também elevam o risco e podem exigir início do rastreamento antes dos 50 anos, a critério médico.
Atividade física orientada tem efeito documentado tanto na prevenção quanto no tratamento de tumores. O SouBrasília mostrou como o exercício orientado reduz a fadiga em pacientes oncológicos, segundo o Inca.
Próximos passos
A partir de setembro, com o procedimento registrado nos sistemas, gestores locais passam a organizar a distribuição dos kits de coleta e o fluxo de encaminhamento para colonoscopia. Quem tem entre 50 e 75 anos e nunca fez rastreamento pode procurar a unidade básica de saúde desde já para checar a disponibilidade.
Perguntas frequentes
Qual é o novo exame de câncer de intestino do SUS?
É o teste imunoquímico fecal (FIT), incluído pela Portaria Saes/MS nº 4.642, de 6 de agosto de 2026. Trata-se de um exame de fezes que detecta sangue oculto.
Quem tem direito ao teste no SUS?
Homens e mulheres sem sintomas com idade entre 50 e 75 anos. A recomendação é repetir o exame a cada dois anos.
Quando o exame começa a ser oferecido?
O procedimento deverá começar a ser registrado nos sistemas do SUS a partir de setembro de 2026, quando passa a ter código próprio na rede.
O teste substitui a colonoscopia?
Não. O FIT funciona como rastreamento inicial. Resultado alterado leva ao encaminhamento para colonoscopia, que confirma o diagnóstico e permite retirar pólipos.








