Os primeiros ipês-amarelos floridos apareceram nas ruas de Brasília apenas na primeira semana de agosto, semanas depois do período em que a espécie costuma abrir as flores no Distrito Federal. O atraso foi confirmado por moradores e por especialistas em botânica nesta segunda-feira, 10.
As copas amarelas mais visíveis até agora estão concentradas em pontos isolados do Plano Piloto. Há árvores floridas na L2 Norte, na altura da quadra 402, e na área comercial da CLSW 302, no Sudoeste. Nas demais superquadras da Asa Sul e da Asa Norte, a maioria dos exemplares continua com os galhos desfolhados e ainda sem flor.
Por que a floração atrasou
O gatilho da floração do ipê não é o calendário, e sim a resposta da árvore à estiagem. O biólogo Marcelo Kuhlmann, doutor em botânica pela Universidade de Brasília (UnB), explicou ao Correio Braziliense que o regime de chuvas determina quando as flores abrem.
“O principal fator é o regime climático. Quando a seca demora a se consolidar ou ocorrem chuvas fora de época, a floração é adiada”, afirmou o biólogo.
O mecanismo funciona nos dois sentidos. Uma seca que se instala cedo antecipa o espetáculo; chuvas tardias empurram tudo para frente, às vezes por semanas. Como o ipê perde as folhas antes de florir, a copa fica nua durante esse intervalo, o que dá a impressão de que a árvore secou.
O calendário das cores no DF
A cidade não tem uma temporada única de ipês, e sim uma sequência que se estende por meses. Cada grupo de espécies responde a um momento diferente do ciclo seco.
- Ipês-roxos: costumam abrir em maio, no início do período seco
- Ipês-amarelos: período habitual em julho, adiado para agosto neste ano
- Ipês-rosas e brancos: fecham a temporada entre agosto e outubro
A sobreposição explica por que é possível ver, no mesmo mês, árvores em plena flor e outras ainda sem nenhum botão em ruas vizinhas. A exposição ao sol, a compactação do solo e a idade do exemplar também interferem no ritmo de cada árvore.
Onde procurar as árvores floridas
Quem quiser fotografar a floração encontra os melhores trechos nas vias arborizadas do Plano Piloto e nos parques urbanos. As entrequadras da Asa Norte e da Asa Sul, o Parque da Cidade e o Parque Nacional de Brasília concentram plantios antigos, com árvores de copa larga.
O ipê tem valor prático além do visual. A floração no auge da seca sustenta abelhas e outros polinizadores em um período de escassez de recursos no Cerrado, quando poucas espécies estão floridas. É também um indicador de campo do avanço da estação seca, acompanhado por pesquisadores que estudam o efeito da variação de chuva sobre a vegetação nativa.
O que esperar nas próximas semanas
Com a seca já consolidada em agosto, a tendência é que a floração se espalhe pelas demais regiões administrativas nos próximos dias, em ondas curtas. A flor do ipê dura pouco: cada árvore mantém o pico por cerca de uma semana, e uma chuva fora de hora derruba as pétalas antes disso.
Depois dos amarelos, a expectativa é de que os ipês-rosas e brancos assumam a paisagem até outubro, quando as primeiras chuvas encerram o ciclo e as folhas voltam. Neste ano, o atraso do amarelo deve comprimir os dois momentos em um intervalo mais curto que o habitual.
Leia também: as notícias do Distrito Federal no SouBrasília.
Perguntas frequentes
Quando os ipês-amarelos florescem em Brasília?
O período habitual é julho, no auge da estação seca. Em 2026, a floração começou apenas na primeira semana de agosto, com atraso atribuído ao regime de chuvas.
Por que a floração dos ipês atrasa?
Porque o gatilho é a seca, não o calendário. Segundo o biólogo Marcelo Kuhlmann, da UnB, quando a estiagem demora a se consolidar ou ocorrem chuvas fora de época, a floração é adiada em semanas.
Onde há ipês-amarelos floridos no DF neste ano?
As primeiras copas amarelas foram vistas na L2 Norte, na altura da quadra 402, e na área comercial da CLSW 302, no Sudoeste. Boa parte dos exemplares da Asa Sul e da Asa Norte ainda está sem flor.
Qual é a ordem das cores dos ipês em Brasília?
Os roxos costumam abrir em maio, os amarelos em julho e os rosas e brancos entre agosto e outubro.








