Política para população de rua pesa no voto de 92,8% dos brasilienses

agosto 9, 2026
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A política para a população em situação de rua é considerada importante ou importantíssima na hora de votar por 92,8% dos eleitores do Distrito Federal. O dado é da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, divulgada neste domingo (9), e coloca o tema entre os que mais pesam na decisão de voto na disputa pelo Palácio do Buriti.

O levantamento ouviu 1.109 eleitores em 31 regiões administrativas do DF, entre 30 de julho e 1º de agosto. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-04077/2026.

O percentual chama atenção porque o assunto não costuma aparecer no topo das prioridades espontâneas do eleitorado, normalmente ocupado por saúde, segurança e emprego. Quando o tema é apresentado de forma estimulada, porém, a rejeição a candidatos sem proposta na área se mostra praticamente unânime.

Quantas pessoas vivem nas ruas do DF

O 2º Censo Distrital da População em Situação de Rua registrou 3.521 pessoas nessa condição no Distrito Federal em 2025. O número é a base de cálculo das políticas de acolhimento executadas pelo governo local e serve de referência para dimensionar vagas em unidades de acolhida, refeições servidas e equipes de abordagem social.

O perfil traçado pelos censos anteriores mostra maioria de homens adultos, forte concentração nas áreas centrais do Plano Piloto e no entorno de terminais rodoviários, e trajetórias marcadas por ruptura familiar, perda de trabalho e dependência química. É esse conjunto que sustenta a avaliação de especialistas de que o problema não se resolve apenas com abordagem policial.

O que dizem os especialistas ouvidos na pesquisa

Para a pesquisadora e professora de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB) Maria Elaene Rodrigues, o enquadramento do tema define o resultado da política. “A população em situação de rua não pode ser tratada como problema urbano, de segurança ou ocupação dos espaços públicos”, afirmou.

Especialista em direitos humanos e professor do Ibmec Brasília, Tédney Moreira aponta o critério de sucesso. “Uma política bem-sucedida não é aquela que torna a população em situação de rua menos visível, mas aquela que reduz efetivamente a necessidade de alguém viver na rua”, disse.

O secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, ponderou sobre o recorte da atuação policial: “A grande maioria são pessoas hipossuficientes, mas existem bandidos infiltrados”.

O que o GDF tem executado

O governo do Distrito Federal mantém um roteiro itinerante de acolhimento que passa pelas regiões administrativas com oferta concentrada de serviços. A ação reúne cadastro em programas sociais, emissão de documentos, atendimento de saúde, corte de cabelo, banho e encaminhamento para vagas de acolhida, além de guarda gratuita de pertences por período determinado.

Nesta segunda-feira (10), a ação chega a Sobradinho e Sobradinho II, com 22 pontos de atendimento a partir das 9h. Nas semanas anteriores, o roteiro passou por Gama, Ceilândia, SCIA/Estrutural, Guará e Plano Piloto. Os detalhes da etapa desta semana estão em reportagem publicada pelo SouBrasília.

O calendário e o formato do roteiro atendem a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou aos entes federativos a divulgação prévia das ações e a proibição do recolhimento de pertences sem oferta de alternativa de guarda.

Vale observar o que a pesquisa mede e o que ela não mede. O percentual de 92,8% se refere à importância atribuída ao tema, não a uma preferência entre modelos de política pública. Não há, no recorte divulgado, pergunta que separe quem defende ampliação de acolhimento de quem defende endurecimento da abordagem em espaço público, e essa distinção é justamente onde as candidaturas costumam divergir.

O mesmo levantamento Correio/Opinião já havia registrado adesão elevada em outra pergunta de ordem pública nesta eleição, quando 75,8% dos entrevistados se disseram favoráveis à prisão dos envolvidos em fraudes contra o BRB. O padrão sugere um eleitorado que responde com força a perguntas sobre ordem urbana e proteção social quando estimulado, ainda que essas pautas apareçam pouco na lista espontânea de prioridades.

Como o tema deve aparecer na campanha

Com 92,8% do eleitorado atribuindo peso ao assunto, a expectativa é que ele entre nos debates televisivos e nos programas de governo registrados na Justiça Eleitoral. Os pedidos de registro de candidatura precisam ser protocolados até 15 de agosto, e o plano de governo é peça obrigatória do processo para quem disputa o Executivo.

Na prática, o eleitor tem dois indicadores objetivos para comparar propostas: o número de vagas de acolhimento permanente prometido e a existência de política de moradia de transição, que é o mecanismo apontado pela literatura da área como o de maior eficácia para tirar alguém da rua de forma duradoura.

A pesquisa Correio/Opinião não divulgou a margem de erro nem o nível de confiança na publicação deste domingo. Os dados completos do levantamento ficam disponíveis no sistema de registro de pesquisas do TSE, sob o número DF-04077/2026.

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