O comércio do Distrito Federal chega ao Dia dos Pais deste domingo, 9 de agosto, com um consumidor disposto a comprar, mas com a mão bem mais fechada. Levantamento do Instituto Fecomércio-DF divulgado nesta quinta-feira, 6, aponta que 82,7% dos brasilienses pretendem presentear na data, com gasto médio estimado de R$ 172 por presente. Em 2025, o valor era de R$ 240, queda de 28,3%.
O contraste entre intenção alta e ticket baixo define a data. A maioria vai à loja, mas leva um item mais barato, troca a compra parcelada pelo pagamento imediato e concentra a escolha em categorias de menor valor unitário.
O que os brasilienses pretendem comprar
Roupas e acessórios lideram a intenção de compra, com 24,2% das respostas. Em seguida aparecem cosméticos e perfumes, com 15,6%, e calçados e acessórios, com 13%. São três categorias em que o varejo consegue montar faixa de preço larga, do item de R$ 50 ao de R$ 500, o que ajuda a explicar a preferência em ano de orçamento apertado.
Na hora de escolher onde comprar, 32,6% dizem que vão ao shopping center, 26,4% preferem o comércio de rua ou de bairro e 18,6% pretendem comprar pela internet. A distribuição mantém o shopping na liderança, mas com o varejo de rua das regiões administrativas em posição competitiva.
Cartão de crédito perde espaço
A forma de pagamento é o dado que mais mudou de perfil. O cartão de crédito segue na frente, com 38,8% da intenção, seguido pelo Pix, com 23,3%, pelo cartão de débito, com 20,1%, e pelo dinheiro em espécie, com 17,8%.
Somados, Pix, débito e dinheiro respondem por 61,2% das intenções. São três meios em que o valor sai da conta na hora, sem parcelamento e sem juros rotativos. O comportamento acompanha o quadro nacional de endividamento das famílias, que bateu recorde em julho, e a Selic em patamar que encarece o crédito ao consumidor.
- Intenção de presentear: 82,7% dos consumidores do DF
- Ticket médio 2026: R$ 172, ante R$ 240 em 2025
- Queda no valor do presente: 28,3%
- Empresários que esperam vender mais: 54,4%, com projeção média de alta de 10,5%
- Empresários que esperam desempenho igual: 41,8%
- Empresários que projetam queda: 3,8%
- Lojas com ação específica para a data: 59,5%
O lojista aposta em volume
Do lado do varejo, o humor é melhor que o do consumidor. Mais da metade dos empresários ouvidos, 54,4%, espera vender mais que no ano passado, com projeção média de crescimento de 10,5%. Outros 41,8% esperam repetir o resultado de 2025 e apenas 3,8% projetam queda.
A conta fecha por volume: se o gasto por presente cai quase 30% e o faturamento ainda assim deve subir, o setor está apostando em mais gente comprando, e comprando mais de uma vez. Quase seis em cada dez estabelecimentos, 59,5%, prepararam ação específica para o período, de desconto progressivo a extensão de horário.
“O crescimento acumulado de 7% no comércio e de 10% nos serviços do Distrito Federal mostra que a atividade econômica permanece aquecida”, afirmou o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire.
O cenário que explica o ticket menor
A queda no valor do presente não nasce da falta de vontade de comprar, e sim das duas contas que chegam antes. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio, apontou 82% das famílias brasileiras endividadas em julho, o maior patamar já registrado pela série. Boa parte desse endividamento está no cartão de crédito.
Do outro lado, o custo do dinheiro. A Selic em 14% ao ano encarece o rotativo do cartão, o crédito pessoal e o parcelamento com juros oferecido pelo próprio lojista. Em um cenário assim, o consumidor que já tem parcela comprometida evita abrir nova linha, e é isso que aparece na pesquisa quando Pix, débito e dinheiro somam mais de 60% da intenção de pagamento.
Para o comércio do DF, o efeito prático é conhecido: cai o valor do item médio no salão e sobe o peso das faixas de preço de entrada. Lojas que trabalham com kit, combo e presente até R$ 100 costumam performar melhor nessas datas, enquanto o item de ticket alto fica para o consumidor que já tinha a compra planejada.
Atenção ao golpe na compra pela internet
Com 18,6% dos consumidores comprando on-line, entidades do setor alertam para o aumento de fraudes no período. A recomendação padrão vale: conferir o CNPJ da loja, desconfiar de preço muito abaixo do mercado, evitar link recebido por mensagem e preferir o pagamento dentro da própria plataforma da loja.
“Datas comemorativas costumam atrair a ação de golpistas porque há aumento significativo nas compras pela internet”, disse o presidente da Associação Brasiliense de Defesa do Consumidor (Abradeb), Raimundo Nonato.
Quem deixou para a última hora tem sábado, 8, como último dia útil cheio de comércio antes da data. Shoppings costumam ampliar o horário na véspera, e o varejo de rua das regiões administrativas segue o expediente normal de sábado.
Leia também: onde almoçar no Dia dos Pais em Brasília, com preços e menus.
Perguntas frequentes
Quando é o Dia dos Pais em 2026?
Domingo, 9 de agosto de 2026, sempre no segundo domingo do mês.
Quanto o brasiliense pretende gastar no presente?
R$ 172 em média, segundo o Instituto Fecomércio-DF. Em 2025, o ticket médio era de R$ 240, queda de 28,3%.
Qual o presente mais procurado no DF?
Roupas e acessórios, com 24,2% da intenção de compra, seguidos de cosméticos e perfumes (15,6%) e calçados e acessórios (13%).
Como o consumidor do DF pretende pagar?
Cartão de crédito (38,8%), Pix (23,3%), cartão de débito (20,1%) e dinheiro (17,8%).








