O Avante rompeu com a chapa do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) ao Palácio do Buriti nesta quinta-feira (6), horas depois de o PSD confirmar o ex-deputado federal Luiz Pitiman como candidato a vice-governador na disputa deste ano no Distrito Federal. A decisão foi anunciada em um almoço com candidatos a deputado distrital e federal do partido, presidido no país pelo ex-senador Gim Argello.
O rompimento desfaz uma negociação que corria havia semanas. O Avante tratava com o PSD a indicação do nome que ocuparia a vaga de vice na chapa, e o cotado nos bastidores era o empresário Jorge Argello, filho de Gim e presidente do partido no DF. Com a definição de Pitiman, os candidatos do Avante decidiram apoiar outras chapas ao governo local.
A informação foi publicada primeiro pelo blog CB Poder, do Correio Braziliense, e também repercutida pelo Jornal de Brasília, que tratou o movimento como uma avaliação em curso dentro do partido. Ao blog, Gim Argello afirmou que não queria romper com o PSD, mas reconheceu a pressão interna dos candidatos pela saída da aliança. Jorge Argello se referiu ao grupo de Arruda como “Chapa dos Empreiteiros” ao comunicar que apoiará outro candidato.
O que muda na chapa de Arruda
A saída do Avante mexe em dois pontos concretos da campanha, e nenhum deles é simbólico. O primeiro é o tempo de propaganda no rádio e na televisão, distribuído conforme o tamanho da coligação majoritária e a representação dos partidos na Câmara dos Deputados. O segundo é a estrutura de palanque: candidatos a distrital e a federal funcionam como capilaridade nas regiões administrativas, levando o nome do cabeça de chapa a bases que a campanha central não alcança sozinha.
O PSD anunciou Pitiman na quarta-feira (5) e formalizou o nome na quinta (6), em movimento que o próprio partido classificou como uma chapa formada apenas por filiados da legenda. Pitiman foi deputado federal pelo DF e deputado distrital, e chega à vaga com histórico de votação concentrada nas cidades do entorno do Plano Piloto.
Procurados pela imprensa local, nem o PSD nem a campanha de Arruda se manifestaram publicamente sobre o rompimento até a noite desta quinta-feira. O Avante também não divulgou nota oficial com a lista de chapas que passará a apoiar.
Prazo de registro aperta o calendário
O movimento acontece a nove dias do fim do prazo para o registro de candidaturas. Pela Resolução do Tribunal Superior Eleitoral que rege o calendário de 2026, partidos, federações e coligações têm até as 19h de 15 de agosto para transmitir à Justiça Eleitoral o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários e os pedidos individuais de registro. Depois dessa data, mudanças na composição das chapas majoritárias dependem de hipóteses restritas previstas em lei.
O que ainda pode mudar até lá:
- a composição formal da coligação de Arruda, que precisa ser fechada e assinada antes do envio;
- o destino dos candidatos do Avante, que podem se coligar com outros grupos ou disputar isoladamente;
- o tempo de propaganda de cada chapa, calculado depois da homologação das convenções e do registro;
- a distribuição do fundo eleitoral entre os candidatos do partido no DF.
“Não queria romper com o PSD”, disse Gim Argello ao blog CB Poder, ao confirmar a pressão dos candidatos do Avante pela saída da aliança.
A disputa pelo Buriti neste ano tem a governadora Celina Leão (União Progressista) buscando a reeleição, além de Arruda pelo PSD e de nomes lançados por PT, PV e PCdoB em federação, PSDB, PRTB e Agir, entre outros partidos que realizaram convenção na primeira semana de agosto. A definição das coligações majoritárias segue em aberto até o encerramento do prazo.
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