seg, 5 out
Segurança

Trabalhador morre após cabo de aço romper em marmoraria de Samambaia

José Nildo de Lima, 47 anos, morreu após cabo de aço romper e placa de mármore de 300 kg cair sobre três trabalhadores em marmoraria de Samambaia Sul.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Cabo de aço industrial enrolado em carretel metálico, usado em equipamento de içamento
Foto: Pexels
Neste texto3 tópicos
  1. O que se sabe sobre a causa do acidente?
  2. Por que placas de mármore exigem cuidado redobrado na movimentação?
  3. O que acontece agora com a investigação?

Um trabalhador de 47 anos morreu no último sábado, 19 de setembro, depois que um cabo de aço se rompeu durante a movimentação de uma placa de mármore em uma marmoraria do Conjunto 3, Lote 4B, no Setor de Mansões de Samambaia Sul. A peça, com cerca de 300 quilos, caiu sobre três funcionários que trabalhavam no local por volta das 14h30.

José Nildo de Lima não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. Os outros dois trabalhadores atingidos pela estrutura foram socorridos conscientes e orientados, mas com lesões, e levados para atendimento hospitalar. O Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionados para o endereço.

O que se sabe sobre a causa do acidente?

Segundo o relato dos primeiros atendimentos, o cabo de aço usado para movimentar a placa de mármore se rompeu no momento da operação, e a estrutura despencou sobre os três trabalhadores que estavam posicionados abaixo dela. A Polícia Militar isolou a área para preservar o local até a chegada da perícia. A Polícia Civil apura as circunstâncias do rompimento do cabo, incluindo o estado de conservação do equipamento e se os procedimentos de segurança para o içamento da peça foram seguidos.

Até a publicação desta matéria, a corporação não havia divulgado o número do inquérito nem detalhado se houve interdição da marmoraria. A reportagem do SouBrasília não localizou manifestação pública da empresa sobre o acidente.

Por que placas de mármore exigem cuidado redobrado na movimentação?

O manuseio de chapas de mármore e granito é considerado atividade de risco elevado dentro das Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho. A NR-12 trata da segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, incluindo sistemas de içamento como talhas, guinchos e pontes rolantes usados para deslocar peças pesadas em marmorarias. Já a NR-18 estabelece condições de segurança em atividades da construção, aplicável quando a movimentação de chapas ocorre em canteiros de obra.

  • Cabos de aço usados em içamento precisam de inspeção periódica e substituição ao primeiro sinal de desgaste, corrosão ou fios rompidos.
  • A carga máxima suportada pelo equipamento de elevação não pode ser excedida, e o fabricante do cabo determina o limite seguro de uso.
  • Trabalhadores não devem permanecer sob a carga suspensa durante a movimentação de peças pesadas, justamente para evitar acidentes como o de Samambaia.
  • Marmorarias de pequeno e médio porte, como a maioria das instaladas em setores comerciais do Distrito Federal, concentram parte considerável dos acidentes fatais do setor por falta de manutenção preventiva nos equipamentos.

O setor de rochas ornamentais registra historicamente índices de acidentes de trabalho acima da média da construção civil, de acordo com dados consolidados por sindicatos patronais e laborais do segmento, justamente pelo peso das peças manuseadas e pela informalidade de parte das instalações. Chapas de mármore e granito costumam pesar entre 150 kg e 400 kg dependendo da espessura e das dimensões, o que torna qualquer falha no sistema de içamento potencialmente fatal para quem está por perto.

Empregadores do ramo são obrigados a fornecer Equipamento de Proteção Individual, manter os cabos e correntes de içamento dentro da validade recomendada pelo fabricante e afastar trabalhadores da trajetória de peças suspensas. O descumprimento dessas exigências pode resultar em autuação do Ministério do Trabalho e Emprego, além de responsabilização civil e criminal da empresa em caso de acidente com morte.

O que acontece agora com a investigação?

O caso segue sob apuração da Polícia Civil do Distrito Federal, que deve ouvir testemunhas, colher informações sobre a manutenção do equipamento de içamento e determinar se houve falha humana, desgaste do material ou ausência de procedimento de segurança. Perícia técnica no local e no cabo rompido é etapa padrão nesse tipo de investigação para apontar a causa exata da ruptura.

Os dois trabalhadores feridos no acidente permanecem sob acompanhamento médico. O SouBrasília vai atualizar esta matéria caso a PCDF divulgue o resultado da perícia ou se houver manifestação da marmoraria sobre o ocorrido.

Samambaia já registrou outros casos que mobilizaram a Polícia Civil nas últimas semanas, como o homicídio a facadas na QR 318, em Samambaia Sul, e a prisão de uma foragida por furtos em farmácias na Samambaia Norte.

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